A Procuradoria-Geral da República confirmou que uma funcionária do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) foi constituída arguida no processo que envolve os dois cidadãos iraquianos detidos na semana passada em Lisboa por ligações ao Estado Islâmico.

Suspeita de corrupção, a assistente técnica terá renovado a última autorização de residência provisória de Ammar Ammen, o mais velho dos dois irmãos.

Segundo o Ministério Público, a funcionária que trabalhava no gabinete de asilo e refugiados do SEF, ter-se-à encontrado com este homem a 5 de março de 2021 no Jardim Constantino, em Lisboa. Terá sido nesse encontro que a mulher entregou ao iraquiano documentos para a renovação da residência em Portugal.

Esse mesmo encontro estava a ser vigiado pela Polícia Judiciária, e agora recai sobre a funcionária um possível crime de corrupção passiva, ainda que não existam provas de recebimento de uma contrapartida financeira.

Contactado pela TVI, o SEF refere que, "apesar de o serviço não ter sido notificado das acusações em causa, o diretor nacional decidiu solicitar informação às autoridades judiciárias, para, de seguida, determinar a eventual abertura do respetivo processo disciplinar".

Os dois cidadãos iraquianos estão em Portugal desde 2017, ao abrigo do programa de recolocação para refugiados da União Europeia. No despacho de indiciação o Ministério Público acredita que ambos tinham consciência dos atos que praticavam e que sabiam pertencer à organização terrorista do Estado Islâmico.

Redação