Os médicos que fizeram o relatório pericial psiquiátrico de Guilherme Páscoa, acusado de ter matado a irmã Ana Bívar, antiga subdiretora do Igespar, devem ser ouvidos em tribunal na próxima sessão do julgamento, a 03 de abril.

Na próxima sessão serão também ouvidas as testemunhas arroladas pela defesa, que tinha pedido a elaboração do relatório sobre a personalidade de Guilherme Páscoa, segundo disse à Lusa fonte ligada ao processo.

O caso remonta a 30 de maio de 2012, em Évora, com Guilherme Páscoa a ser acusado de ter matado com um objeto cortante a irmã Ana Bívar, 51 anos, então subdiretora no Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (Igespar) e mulher do deputado do PSD António Prôa, e de ter tentado assassinar uma outra irmã, Marta Páscoa, de 44 anos, após as ter atropelado, devido a questões relacionadas com partilhas e gestão de uma herança familiar.

Acusado de dois crimes de homicídio qualificado, um consumado e outro na forma tentada, e incorrendo na pena máxima de 25 anos de prisão, Guilherme Páscoa, de 42 anos, em prisão preventiva no Hospital Prisional de Caxias, voltou hoje a remeter-se ao silêncio durante toda a segunda sessão do julgamento.

Além de agentes da PSP de Évora e de vizinhos de Marta Páscoa, que estiveram no local dos crimes, também foram ouvidas testemunhas arroladas pelos assistentes que apresentaram pedidos de indemnização cível, entre elas David Justino, antigo ministro da Educação e atual assessor para a área dos assuntos sociais da Presidência da República.

David Justino destacou a «competência profissional» de Ana Bívar, que trabalhou no seu gabinete quando era ministro da Educação, entre 2002 e 2004.

Na sessão desta terça-feira, foi também ouvida uma outra irmã do arguido, Alexandra Páscoa, que confirmou que era o irmão que «geria os bens da mãe à vontade dele».

Alexandra Páscoa referiu também que a pensão da mãe, «cerca de 500 euros» mensais, era depositada numa conta, cujos titulares e gestores eram a mãe, Maria Guilhermina, e a irmã Marta.

«Não sabemos do que ele é capaz» e «nós temos medo, mesmo», foram duas das afirmações de Alexandra, ao referir-se ao irmão e arguido, durante o interrogatório, antes de reconhecer que a «conflitualidade» entre os irmãos começou com a morte do pai, em 2003.

Na primeira sessão do julgamento, Marta Páscoa enumerara os bens da família e confirmara a existência de uma procuração que o arguido tinha para representar a mãe em negócios familiares, que foi revogada dias antes dos crimes.

Segundo o seu testemunho, três frações da Herdade da Lezíria, em Alcácer do Sal, foram vendidas entre 2004 e 2011, por um valor total de 860 mil euros, pelo irmão, com recurso à procuração da mãe.

Figura do meio equestre, Guilherme Páscoa terá matado a irmã Ana Bívar com um golpe na jugular, quando esta se dirigia, acompanhada pela irmã Marta, para o seu veículo para regressar a Lisboa, onde morava.

O homem terá esfaqueado as duas irmãs após as ter atropelado, tendo Ana Bívar acabado por morrer no Hospital de Évora, enquanto Marta Páscoa sofreu ferimentos ligeiros e teve alta hospitalar horas depois.

Após os crimes, no Bairro do Granito, nos arredores de Évora e perto da casa de Marta Páscoa, o suspeito encetou fuga, mas entregou-se no dia seguinte num posto da GNR na zona de Alenquer, sua área de residência.

O atropelamento seguido de esfaqueamento ocorreu na rua Dr. César Baptista, no Bairro do Granito, na periferia da cidade, onde o suspeito esperou, alegadamente, cerca de três horas.

As autoridades não encontraram no local, na ocasião, a arma utilizada nos crimes.