As autoridades de saúde admitem adaptar as medidas de isolamento para os vacinados contra a covid-19 que têm contactos de risco, mas lembram que sempre foi possível antecipar este período, com um teste negativo ao 10.º dia.

Em Portugal o período de isolamento é de 14 dias. Desde há meses, começando-se a compreender melhor o período de incubação da infeção, foi dada a possibilidade de, numa avaliação individual, as autoridades de saúde poderem, perante teste negativo ao 10.º dia, terminar o isolamento nesse dia”, explicou o coordenador da Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19, Válter Fonseca.

Em entrevista à agência Lusa, questionado sobre se as autoridades equacionavam alterar as medidas a cumprir por quem tem um contacto de risco, mesmo estando vacinado, o responsável afirmou: “Essa possibilidade de avaliação de caso de risco, caso a caso, sempre foi possível”.

Efetivamente, são estes dados ainda em análise, sobre o verdadeiro impacto na transmissão e sobre como se comporta a situação epidemiológica com a variante delta (…), que nos podem fazer adaptar as medidas recomendadas para as pessoas vacinadas”, acrescentou.

O primeiro-ministro, António Costa, que tem o esquema vacinal completo, saiu na passada segunda-feira de um isolamento, que durou 10 dias, após ter tido um contacto considerado de risco.

Esta medida motivou críticas às autoridades de saúde e um pedido de explicações por parte do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre este tipo de situação.

Vacinação tem "impacto imenso" na quebra da mortalidade

O coordenador da comissão técnica defendeu que os números da pandemia em Portugal mostram um “impacto imenso” das vacinas no sistema de saúde e na mortalidade.

Válter Fonseca sublinhou as diferenças na atual vaga de covid-19 em Portugal: “Nesta vaga da pandemia (…) estamos a ver um aumento da incidência, o número de novos casos, mas não estamos a ter, neste momento, o acompanhar dessa curva de incidência com uma subida expressiva das hospitalizações nem de mortalidade”.

Isto é um impacto extraordinário da vacinação contra a covid-19. As curvas [agora] afastam-se, enquanto, no passado, havia uma curva de incidência, algum tempo depois subia a curva de hospitalizações e, mais tarde, a curva de mortalidade”, explicou.

Neste momento – prosseguiu –, “começamos a ver uma tendência de separação destas curvas, o que nos diz que, mesmo com as variantes mais preocupantes, como a delta, em Portugal, as vacinas estão a ter um impacto imenso no sistema de saúde e na mortalidade das pessoas”.

Válter Fonseca insistiu que as vacinas são eficazes e seguras, protegendo contra a doença grave e hospitalização (entre 90% a 95%), mas também diminuindo a transmissão, embora com níveis diferentes.

Os dados que temos hoje disponíveis, que resultam sobretudo do Reino Unido, que é o país que tem mais história e cobertura vacinal contra a covid-19, mostram que estas vacinas também têm um impacto na transmissão do vírus, mas não nos valores que vimos para a mortalidade e doença grave”, afirmou o especialista.

À medida que o tempo passa, acrescentou, “começamos a conhecer melhor como é que as vacinas se comportam nos resultados sobre a infeção assintomática e sobre a transmissão. É sempre mais difícil estudar estes últimos resultados do que os primeiros [mortalidade e hospitalização]”.

Questionado sobre alguma incerteza que ainda existe sobre a proteção reativamente à variante delta, o responsável afirmou: “Estamos a analisar o verdadeiro impacto desta variante relativamente à efetividade vacinal para que depois se possam tomar as medidas certas para o futuro. Até lá as regras mantêm-se”.

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