Leonor Cipriano saiu, nesta quinta-feira, em liberdade condicional, depois de cumprir cinco sextos de uma pena de 16 anos e oito meses de prisão, pelo homicídio da filha, Joana, então com apenas oito anos.

À saída da prisão de Odemira, em Beja, Leonor Cipriano falou em exclusivo à TVI, reafirmando a sua inocência e prometendo que vai procurar a filha, cujo corpo nunca chegou a ser encontrado.

Entrei nesta cadeia sem fazer mal à minha filha e vou dizer sempre até ao resto da minha vida: onde quer que ela esteja, quem a levou, quem lhe fez mal, por favor, devolvam-ma", afirmou Leonor Cipriano. 

Leonor Cipriano disse, uma vez mais, que foi forçada a assumir a culpa pela morte da filha, que desapareceu na noite de 12 de setembro de 2004, cerca das 20:30, depois de, a pedido da mãe, ter saído de casa para fazer compras num café próximo de casa, na aldeia de Figueira, concelho de Portimão.

"A Joana saiu e nunca mais voltou", disse, negando que a filha tenha regressado a casa, como provaram os inspetores da Polícia Judiciária, que encontraram as compras na residência e sangue numa arca.

É mentira, nunca mais regressou a casa", insistiu.

Sobre o irmão, igualmente condenado no mesmo processo, Leonor Cipriano não quis alongar-se em comentários, mas contou que nunca mais falou com ele.

Não sei, não posso dizer uma coisa que não sei, mas não quero mais nada com ele, não quero. Porquê? Porque eu dei-lhe casa e, se não tivesse dado, se calhar a minha filha não tinha desaparecido", disse, confirmando que o irmão tinha saído nessa noite.

A mãe de Joana garantiu que sai de "cabeça erguida" e que à sua espera tem "um trabalhinho" para retomar a vida.

Eu sei que não tenho nada a ver com o desaparecimento da minha filha. Eles torturaram-me tanto, deixaram-me tão roxa de tanta porrada que me deram, que cheguei ao ponto que já não sabia o que estava a dizer, já não dizia coisa com coisa. Confessei? Sim, com a porrada que levei, disse. Mas se o arrependimento matasse eu hoje estava morta. Mas não o fiz e tenho a cabeça erguida porque não o fiz", repetiu.

Uma coisa prometeu, desde já. Vai à procura de Joana.

Vou a todo o sítio que puder ir, vou à procura da minha filha e hei-de encontra-la, porque até hoje não encontraram a minha filha e puseram-me aqui dentro sem provas."

Joana Cipriano, oito anos, desapareceu da aldeia da Figueira a 12 de Setembro de 2004, cerca das 20:30, depois de fazer compras num café próximo de casa.

O Tribunal de Portimão condenou, em março de 2006, a mãe e o tio da menina pela sua morte. Leonor e João Cipriano foram condenados a 16 anos e oito meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.