O consultor forense que encontrou o segundo projétil em casa de Rosa Grilo, nesta sexta-feira, já depois de a habitação ter sido processada pela Polícia Judiciária por três vezes, é um ex-inspetor da PJ, psicólogo de formação, que esteve detido quase cinco anos e que tem um novo negócio.

Foi, aliás, esse novo negócio que levou João de Sousa até Rosa Grilo, arguida e principal suspeita da morte do marido, Luís Grilo. Primeiro por carta e depois por telefone, João de Sousa contactou "por impulso" Rosa Grilo, disse-lhe que podia ajudá-la e é isso que está a tentar fazer há cerca de "semana e meia", segundo explicou em entrevista na TVI24.

Esta manhã, juntamente com advogada de defesa, Tânia Reis, descobriu na habitação do casal, em Cachoeiras, Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, "um vestígio que pode ser o indício de algo" e que a TVI sabe tratar-se de um projétil, prova que João de Sousa recusou confirmar.

João de Sousa foi à residência do casal porque "queria contextualizar" o que viu nas fotografias tiradas pela PJ.

Tive acesso à reportagem fotográfica, estive a ver a disposição da casa, fiz uma 'autópsia psicológica' ao próprio caso, atendendo às versões díspares do que aconteceu, e é nesse momento que encontro o vestígio", contou.

Na sua opinião, a investigação apresenta "várias deficiências" das quais resultam as versões contraditórias sobre o que aconteceu naquela casa.

Eu vi um vestígio que pode ser um indício de algo e que não é uma prova", descreveu apenas.

De imediato saíram da casa e chamaram as autoridades, mas apenas a GNR se deslocou ao local.

"Quem devia ter estado no local era a Polícia Científica da PJ", lamentou.

Questionado sobre o sentido de oportunidade da descoberta, João de Sousa explicou que a advogada tencionava chamá-lo a tribunal na qualidade de consultor forense e particularmente sobre a autópsia realizada a Luís Grilo e que acabou por ir ver a casa depois de não conseguir falar pessoalmente com Rosa Grilo.

João de Sousa não tem dúvidas, por todas as informações a que teve acesso, de que a investigação a este crime foi "extremamente deficitária".

O consultor forense esclareceu, ainda, que apesar de estar a trabalhar para a defesa, amanhã poderá fazer trabalhos de consultoria para o Ministério Público, porque é esse o âmbito do seu trabalho, seja defesa ou acusação.