João Loureiro continua no Brasil e a Polícia Federal daquele país está a investigar as ligações do advogado e ex-presidente do Boavista ao avião que foi apreendido com 500 quilos de droga no aeroporto de Salvador.

As autoridades acreditam que o objetivo dos traficantes era que o avião viesse para Portugal sem passageiros, apenas com a tripulação e a droga, por causa do peso a mais.

O voo estava marcado para 9 de fevereiro, mas não apareceu nenhum dos nomes que estava na lista de viajantes.

João Loureiro alegou sempre que foi ao Brasil de jato privado apenas para uma entrevista de emprego, a convite de uma empresa que o queria contratar como consultor.

Mas, como a TVI já tinha revelado, uma viagem dessas custa mais de 100 mil euros, ou seja, nem todas as empresas podem contratar este tipo de serviço.

A empresa em causa será a Lopes e Ferreira Assessoria Limitada, sedeada numa pequena sala no modesto bairro Vila Prado, em São Paulo.

Esta é a entrada da empresa, sem qualquer referência à existência da mesma, e a rua onde se localiza.

A TVI consultou os documentos oficiais das finanças brasileiras, que revelam que a empresa abriu atividade há 4 anos, a 6 de fevereiro de 2017, na área de serviços combinados de escritório e apoio administrativo.

O mistério adensa-se quando esta firma diz ter um endereço de email da Google e não um da própria empresa. A TVI endereçou uma série de perguntas ao e-mail indicado, mas não obteve resposta.

Tentámos ainda ligar para o número de telefone, mas a resposta é a de que o número não está atribuído, não existe.

Mistério final? O capital social da empresa de assessoria. 20 mil reais, ou seja, 3 mil euros. Como pode uma empresa com tão pouco capital declarado sustentar viagens em jatos privados?

É uma das questões que as polícias judiciárias portuguesa e brasileira estão a investigar, em estreita colaboração.

Aliás, a TVI sabe que as duas polícias suspeitam fortemente de uma teoria: o voo de regresso a Portugal iria ser feito apenas com a tripulação a bordo e a droga, visto que, escondido na fuselagem do avião, já seguia o peso equivalente a 7 passageiros.

Feitas as contas, aos 578 quilos de cocaína divididos por uma média de 80 quilos por um passageiro adulto dá, pelo menos, o peso equivalente a 7 pessoas na carga transportada.

Se o avião trouxesse os 7 passageiros inicialmente previstos, mais a tripulação e a droga, a estabilidade da aeronave ficaria em causa e haveria sérios riscos de segurança.

Por isso, acreditam as autoridades, nenhum dos passageiros tinha intenção de regressar a Portugal no no Falcon 900.

O voo de regresso foi adiado várias vezes de forma propositada e, a 9 de fevereiro, nenhum dos passageiros apareceu no aeroporto para embarcar. Nenhum deles terá avisado a companhia que já não iria viajar.