O Estado tem de cumprir o acordo que prometeu, é para já a primeira estratégia da defesa de João Paulino, o homem que o Ministério Público considera o cérebro do furto a Tancos. 

O arguido entregou as armas com a garantia das mais altas hierarquias da PJ Militar e, pelo que está na acusação, até mesmo do ministro da Defesa, de que não iria ser criminalizado pelo furto. No entanto, João Paulino está em prisão preventiva há um ano e acaba de ser acusado de crimes como terrorismo, associação criminosa e tráfico de armas.

A negociação com os militares começou quando João Paulino contacto o amigo de juventude Bruno Ataíde, elemento do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Este soldado leva a informação ao superior, sargento Lima Santos, que por sua fez pede a autorização ao responsável da GNR de Faro tenente-coronel Luís Sequeira. É daqui que parte e autorização para falar com a Polícia Judiciária Militar.

Subindo sempre na hierarquia até chegar ao diretor coronel Luís Vieira que, de acordo com a acusação, partilhou o plano com Azeredo Lopes, tendo o na altura ministro da Defesa dado assentimento. 

Se na fase de instrução o juiz considerar válido este argumento, de que o Estado prometeu não o responsabilizar pelo furto das armas, o arguido poderá apenas vir a ser julgado por um crime de associação criminosa e tráfico de droga, uma vez que lhe foram apreendidos vários quilos de cocaína e haxixe.