Jorge Torgal, médico do Conselho Nacional da Saúde Pública, defendeu esta terça-feira que um novo confinamento não deve ter por base o número de novos infetados, mas sim o número de internados com a covid-19.

Para o especialista, um regresso ao confinamento vivido durante o estado de emergência “não é o caminho ideal”, porque a situação “não é preocupante”.

A discussão para um novo confinamento deve ter por base a gravidade, número e a situação clínica das pessoas infetadas, nomeadamente os internamentos”, disse o médico, assinalando que Portugal tem, neste momento, “um número muito baixo de internados nas Unidades de Cuidado Intensivo relativamente ao que já tivemos”.

Ademais, Jorge Torgal acredita que, continuando a procurar na sociedade, “vamos identificar muitos assintomáticos”. “Em qualquer patologia infecciosa respiratória esta é uma situação normal”.

Em relação à possibilidade de um novo confinamento, Torgal afirma que “temos de estar atentos ao número de internados”.

 

“Nós não falhámos no caso dos lares. Há lares que falharam”

Jorge Torgal analisou a mortalidade nos lares e explicou que, se olharmos para os resultados da União das Misericórdias portuguesas, que tem 35 mil utentes e 29 mil funcionários e onde foram realizados mais de 50 mil testes, “verificamos que temos 148 óbitos, traduzindo-se numa mortalidade de 0,42% - “um número muito baixo”.

O problema de base, afirma o especialista, “é  qualidade da organização interna dos lares e da sua capacidade de resposta às normas que existem”

 Se olharmos para os resultados dos lares ilegais, que têm uma baixa estruturação do ponto de vista empresarial, encontramos uma mortalidade muito elevada”, diz Torgal, sublinhando que é preciso não fazer generalizações em torno dos lares.

 

"Nunca vi festas, brigas e abraços no final das touradas"

A diretora-geral da Saúde informou esta segunda-feira que, em breve, será publicada uma nova orientação que recomenda o uso de máscara em espaços públicos movimentados, sempre que não seja possível assegurar o distanciamento físico. No mesmo dia, a Ordem dos Médicos pediu novamente a utilização de máscaras em espaços públicos abertos.

Este tipo de comunicação difusa entre a Ordem e a DGS ajuda, na ótica de Jorge Torgal, as pessoas a pensar, uma vez que “não há uma resposta única”.

Ainda assim, o médico acredita que a “importância da pandemia portuguesa na generalidade não obriga a que usemos máscara no espaço público”. Ainda assim, o médico reitera que há situações onde a máscara deve ser usada, nomeadamente à entrada e à saída dos estádios.

Como exemplo e para salientar a singularidade dos jogos de futebol, Jorge Torgal deu o exemplo do jogo da Liga dos Campeões entre a Atalanta e o Valência em Bergamo, durante o qual 45 mil adeptos festejaram nos bares e nas ruas.

Esta aglomeração de pessoas é provocada pela emoção. Nunca vi festas, brigas e abraços no final das touradas”, explica o especialista.