Os jornalistas portugueses têm em média quase 40 anos, concentram-se sobretudo em Lisboa e frequentaram a universidade, revelam os primeiros resultados de um inquérito a este grupo profissional, divulgados esta quarta-feira.

Desenvolvido por uma equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL - ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa), em parceria com o Sindicato dos Jornalistas e o Obercom, o estudo “Os jornalistas portugueses são bem pagos? Inquérito às condições laborais dos jornalistas em Portugal” foi respondido por quase 1.600 jornalistas entre 1 de maio e 13 de junho de 2016, tendo sido validadas 1.491 respostas.

O principal objetivo do inquérito é “analisar as condições laborais dos jornalistas portugueses, conhecer a diversidade de percursos e perfis e identificar os principais constrangimentos e desafios que se colocam ao exercício da profissão”, estando a apresentação dos resultados globais marcada para o 4º Congresso dos Jornalistas Portugueses, a decorrer de 12 a 15 de janeiro, em Lisboa.

De acordo com as conclusões do trabalho, e por comparação com o primeiro estudo sociológico sobre a atividade jornalística em Portugal (publicado em 1988 por Paquete de Oliveira, com dados do ano anterior), em que a idade média na profissão era ligeiramente inferior aos 41 anos, os jornalistas são agora “ligeiramente mais novos” e têm, em média, 39,9 anos.

Os mais jovens (com menos de 24 anos) representam apenas 6,6% do total, o que é apontado como uma possível “consequência da atual conjuntura dos media, que dificulta a entrada na profissão”.

Ainda assim, “em 1987 apenas 4,2% dos jornalistas tinham idade igual ou inferior a 25 anos, pelo que há, agora, cerca de mais 50% de jovens jornalistas do que há quase 30 anos”, ressalvam os autores do estudo.

No extremo oposto, apenas 9,1% de jornalistas têm 55 anos ou mais, o que “denota um abandono precoce da profissão”, já que em 1987, eram 10,4% os jornalistas com mais de 56 anos.

Apesar da “acentuada feminização da profissão nas últimas três décadas”, assiste-se a um ligeiro predomínio dos homens (51,8%) sobre as mulheres (48,2%), que compara com os 80,2% de jornalistas homens e 19,8% mulheres registados em 1987.

Do trabalho resulta ainda que os jornalistas têm uma escolaridade superior à média nacional, com 79,6% a apresentar, pelo menos, frequência universitária, o que representa “quase o dobro” de 1987, quando apenas 39,8% dos jornalistas tinham chegado à universidade.

A maioria (64,7%) só frequentou ou completou um bacharelato ou licenciatura, sendo que apenas 13,4% chegou ao mestrado e só 1,5% ao doutoramento. Por outro lado, 20,4% apenas frequentaram o ensino secundário.

Composto por 78 perguntas, o estudo conclui também que a Área Metropolitana de Lisboa emprega quase dois terços dos jornalistas portugueses e que quase metade dos restantes trabalha na região Norte.

“O facto de quase todos os grupos de comunicação social terem as suas sedes na Grande Lisboa e de ser a capital do país contribui de forma determinante para esta concentração”, notam os autores do inquérito, recordando que, ainda assim, “em 1987 eram cerca de 80%, pelo que se verificou alguma descentralização”.

Depois de Lisboa, a região Norte acolhe um sexto (16,6%) dos jornalistas portugueses, e o Centro 8,4%, distribuindo-se os restantes 11,2% pelas outras regiões do continente, regiões autónomas e estrangeiro.

As conclusões do inquérito referem ainda que quase metade dos jornalistas (47,8%) não tem uma relação conjugal e que, destes, 37,9% são solteiros. Os restantes 52,2% são casados (34,9%) ou vivem maritalmente (17,3%).