O Hospital de São José está permanentemente a receber doentes infetados com SARS-CoV-2. Na sequência do plano de contingência traçado ainda na primeira fase da pandemia, o hospital está a ampliar a enfermaria para doente covid-19 e as obras decorrem enquanto os doentes são tratados.

Equipado a rigor, o jornalista José Alberto de Carvalho percorreu os corredores daquela a que se pode chamar a “zona vermelha”, onde estão internados os doentes mais graves. Onde os médicos não têm mãos a medir, mas, mesmo assim, não conseguem impedir a morte de um em cada quatro doentes.

Mais de 80% dos doentes internados nesta zona do Hospital de São José estão ventilados. Enquanto lidam com a gravidade da doença, os profissionais de saúde têm também de lidar com a angústia dos familiares. E o telefone a tocar para saber notícias já se tornou uma rotina.

Apesar de a gente ligar uma vez por dia aos familiares, ainda é uma rotina os familiares ligarem para aqui para saberem dos familiares. (…) Desde que o doente vem para o hospital, há um sentimento de perda, porque as pessoas têm a noção de que é um momento grave. Quando vêm para os cuidados intensivos, esse sentimento de perda ainda aumenta mais (…). Quando informamos os familiares que o doente foi entubado e ventilado, esse é outro momento de angústia para os familiares”, relata Luís Mendes, que fez a visita guiada à TVI.

É uma unidade onde se assiste a delírios provocados pela doença, que, muitas vezes, afeta gravemente o sistema nervoso central dos doentes. “O que notamos é que esses quadros de delírio são mais agudos, mais prolongados e mais difíceis de controlar”, explica o médico.

É uma unidade onde os corredores têm o ar limpo e há uma diferença de pressão em relação aos quartos, para evitar que o vírus saia das portas para fora. 

José Alberto Carvalho / Publicada por MM