No programa "Deus e o Diabo", desta sexta-feira, José Eduardo Moniz abordou a coligação negativa (CDS, PSD, BE e PCP) que aprovou, na quinta-feira, a contabilização do tempo integral dos professores deixando, assim, o PS completamente isolado. Esta sexta-feira, António Costa admitiu demitir-se caso esta proposta seja aprovada em votação final no Parlamento. 

No que toca a greve e reivindicações, o apresentador mostrou, através de infografismos, que durante esta legislatura (2015-2019), foram registadas 508 greves, mais 266 que o governo anterior de Pedro Passos Coelho (2011-2014), que registou um total de 314. Desde o início deste ano ano foram agendadas 192 greves, das quais apenas nove foram desconvocadas. Quanto mais próximas as eleições, mais greves vão surgindo. 

Neste programa, ouve ainda tempo para comentar as novas formas de sindicalismo, ou seja, o surgimento de novos sindicatos, independentes das grandes centrais CGTP e UGT, que têm feito história pela forma como têm feito ouvir as suas reivindicações. Um dos exemplos mais recentes, foi a greve dos motoristas de matérias perigosas que, no espaço de três dias, quase paralisaram o país e já deixaram o pré-aviso de uma nova greve. 

Houve ainda tempo para um comentário sobre o Serviço Nacional de Saúde - a propósito da Lei de Bases da Saúde na qual o Governo já admite as parcerias publico-privadas - e ainda a ida dos três presidentes da Caixa Geral de Depósitos (entre 2000 e 2010) - António de Sousa, Carlos Santos Ferreira e Faria de Oliveira - à comissão de inquérito, no Parlamento.

Outro dos temas em destaque neste programa foi a violência no namoro. Mais de metade dos jovens portugueses diz já ter sido vítima deste crime. Números deste ano divulgados pelo Observatório da Violência no Namoro. 

Sara Silva, uma dessas vítimas, foi atingida à facada pelo ex-namorado mais de 20 vezes, e deu, pela primeira vez, o seu testemunho em direto no programa Deus e o Diabo, desta sexta-feira. Na altura dos factos, Sara tinha apenas 16 anos, hoje já tem 23, e namorava há três meses, mas esse curto período fez dela um testemunho dramático destes atos violentos. Foi perseguida, ameaçada e afirmou que mudou de número de telemóvel cinco vezes, mas o companheiro da altura acaba sempre por conseguir o seu número. 

No dia em que foi esfaqueada, tinha saído de casa para por fim ao namoro e entregar alguns objetos ao companheiro.

Ele ligou-me, pediu-me para ir ter com ele e para lhe levar um quadro que ele me tinha dado e que me compreendia e que podíamos ser apenas amigos"

Sara saiu de casa, sozinha, sem avisar ninguém para onde ia. Quando chegou à residência do namorado, este quis que ela entrasse em casa dele, mas Sara recusou. 

Ele queria que eu entrasse para casa dele, mas eu não quis. Deixei o saco à porta de casa e fui-me embora". Entretanto, o companheiro chamou pela Sara e quando ela olhou para trás foi esfaqueada na barriga.

Tentou fugir, mas o namorado agarrou-a, puxou-lhe o cabelo e continuou a esfaqueá-la consecutivamente.

Eu lembro-me de olhar para a cara dele e ver ódio"

Sara acabou por fazer de conta que estava morta e o agressor acabou por fugir. Este entregou-se às autoridades e foi condenado a 3 anos e 3 meses. No entanto, a defesa de Sara recorreu por duas vezes e a pena acabou por ser aumentada para seis anos.