A Ordem dos Médicos está a estudar a introdução de um exame de acesso à Ordem, justificando que é a única forma de se poder responsabilizar pela qualidade destes profissionais, que aprendem por metodologias diferentes ou vêm do estrangeiro.

Em declarações à Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, explicou que este exame ainda está no «campo das hipóteses», mas que no prazo máximo de dois anos a decisão será tomada.

Em causa estão os actuais cursos de Medicina, decorrentes da introdução do método de Bolonha, com metodologias diferentes e número de anos diferentes.

«Queremos garantir que os médicos têm qualidade. Não é suspeição em relação a ninguém, mas acredita-se que por um médico estar inscrito na OM tem qualidade. A verdade é que nós somos obrigados a aceitar todos os licenciados, por isso a Ordem não pode garantir que todos têm qualidade», afirmou.

Outro problema que se colocou à Ordem, segundo José Manuel Silva, foi a «chegada de colegas de outros países» e as declarações da anterior ministra da Saúde, segundo as quais o facto de estarem inscritos na Ordem era garantia de qualidade.

O bastonário referia-se aos médicos colombianos, que seguem os mesmos mecanismos que todos os outros profissionais: inscrição na Ordem dos Médicos, com uma licenciatura reconhecida por uma faculdade portuguesa.

«Quem reconhece a sua licenciatura são as faculdades de Medicina e a Ordem dos Médicos é obrigada a aceitar a inscrição de qualquer licenciado em Medicina em Portugal ou na União Europeia ou que veja reconhecida a sua licenciatura por uma faculdade de Medicina portuguesa, portanto não tem qualquer responsabilidade no nível de formação destes médicos», esclareceu.

O bastonário alega que a Ordem não tem qualquer metodologia para garantir a qualidade desses clínicos, que se licenciaram nos seus países e fizeram em Portugal a equivalência.

«As diferentes metodologias de ensino e [a existência em Portugal de] médicos estrangeiros já são factores suficientes para ponderar a introdução de um exame. É a única forma de dizer que é responsabilidade da OM a qualidade de quem está inscrito», afirmou, acrescentando que se estiver bem preparado passa no exame sem dificuldade, «se não passar é porque precisa de estudar mais».

Sobre os moldes em que funcionaria esse sistema de exame de acesso, José Manuel Silva afirmou estarem já em estudo algumas ideias, mas considerou ser prematuro avançar, até porque o próprio exame ainda não passa de uma possibilidade.