Portugal atravessa aquilo que parece ser o início de uma nova vaga de covid-19, o que se começa a refletir no número de casos diários, e também nos internamentos.

O diretor do serviço de Medicina Intensiva do Hospital de São João, do Porto, refere que o perfil dos doentes internados é claramente diferente face às outras vagas que o país teve, o que se reflete na grande cobertura de vacinação junto da população mais velha.

O perfil das pessoas com covid-19 em medicina intensiva é claramente mais jovem por ausência desse grupo etário mais idoso", referiu José Artur Paiva, em entrevista na TVI24.

Em concreto, e a nível nacional, 63% (quase dois terços) dos doentes internados nos cuidados intensivos têm menos de 60 anos, sendo que 12% dos doentes têm menos de 40 anos.

Questionado sobre um eventual efeito negatio da variante Delta nos mais jovens, o especialista diz que não existem evidências de que esta mutação seja mais grave.

O também presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos lembra que pode haver formas graves da doença nos mais jovens, o que se torna mais claro pelo ausência de internamentos em pessoas mais idosas.

Neste momento, e segundo dados de José Artur Paiva, apenas um terço dos doentes admitidos em medicina intensiva tinha mais de 60 anos, o que se deve ao "processo de cobertura vacinal".

Dado o expectável aumento de casos, os hospitais começam a preparar-se para um aumento dos internamentos, numa situação que é agora muito melhor que no início da pandemia, em fevereiro de 2020.

Temos cerca de 900 camas em medicina intensiva, quando tínhamos 600. Estamos mais capacitados agora que há 15 meses atrás", afirmou José Artur Paiva, ressalvando que é essencial reduzir o índice de transmissibilidade.

Portugal tem mais 25 pessoas internadas com covid-19, 902 novos casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 e duas mortes atribuídas à doença nas últimas 24 horas.

No boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) assinala-se que estão hoje internadas 502 pessoas com covid-19,o número mais elevado desde 06 de abril, quando estavam hospitalizadas 504 pessoas.

Nas unidades de cuidados intensivos estão 115 pessoas, menos uma nas últimas 24 horas.

António Guimarães