Desde 15 de março até ao último domingo que se tem verificado uma "redução muito assinalável em todos os grupos etários" no que toca ao números de novos casos de covid-19. No entanto, tem-se verificado um aumento mais expressivo na população jovem.

André Peralta Santos, diretor de serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde (DGS), explicou que tem havido uma "inversão da tendência e aumento" na faixa etária dos 0 aos 9 anos da idade.

Na mesma linha, Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), esclareceu que esses valores se verificaram após a reabertura das escolas.

Há uma inversão da tendência e os novos casos por dia estão a aumentar", sublinhou.

O investigador realçou ainda a tendência decrescente na faixa etária dos 80 anos e mais, “a mais vulnerável à hospitalização e à morte”.

A incidência comulativa em Portugal a 14 dias encontra-se neste momento próxima dos 71 casos por 100 mil habitantes, com um "aumento mais expressivo na população jovem", mas também na população ativa, ou seja, dos 25 aos 70 anos. 

Analisando a dispersão geográfica da incidência, adiantou que há 22 concelhos com incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes que correspondem a 636 mil pessoas, 6,5% da população nacional.

O Baixo Alentejo e o Algarve são as regiões do país que apresentam maior incidência, com 120 casos por 100 mil habitantes.

O Algarve é a região de Portugal continental que apresenta uma incidência mais elevada. No entanto, mantém-se a tendência de decréscimo nas hospitalizações, na mortalidade e observou-se principalmente um aumento do número de testes e a diminuição da taxa de positividade”, afirmou o investigador.

Positividade abaixo de 4% em todas as faixas etárias

Num outro parâmetro, André Peralta Santos referiu que existe um aumento de testagem na população ativa, apesar de menos expressiva na população mais jovem. Ainda assim, a positividade está abaixo de 4% em todas as faixas etárias. 

Ou seja, Portugal está a aumentar o número de testes, mas a positividade continua a diminuir.

Óscar Felgueiras propõe criar critério de "incidência vizinha"

Óscar Felgueiras, Administração Regional de Saúde do Norte e Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que falta sobre os "Indicadores de Risco Local", propôs um novo critério de forma a obter o indicador de incidência ajustada.

O especialista deu como exemplo o concelho do Vimioso, que tem um incidência de 249 casos e uma população de 4 mil habitantes, mas se tivermos em conta os concelhos vizinhos, existem na região 67 mil habitantes.

Por isso, se for considerada a incidência na região, esta seria de 53, muito abaixo da registada no Vimioso.

Desta forma, este novo critério, combinaria os indicadores de incidência vizinha e a incidência concelhia, oferecendo uma análise mais precisa do risco que existe na proximidade entre concelhos.

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 12:28