Um homem, de 40 anos, que começou a ser julgado por violência doméstica no Tribunal de Torres Vedras, onde terá chegado a agredir a mulher no âmbito do processo de divórcio, desmentiu, esta segunda-feira, os factos de que vem acusado.

«É tudo mentira», repetiu várias vezes o arguido ao colectivo de juízes, presidido por Maria Domingas.

De acordo com a acusação, em Maio de 2011, no fim de uma audiência de tentativa de acordo no âmbito do divórcio, o marido começou a insultar a mulher ainda dentro da sala de audiências e depois impediu-a de se refugiar dentro do tribunal, barrando a porta de entrada. Na presença de uma advogada e de funcionários judiciais, arrolados no processo como testemunhas, «agarrou-a com força pelo braço e com a outra mão agarrou-a pelo cordão que trazia ao pescoço, puxando-a na sua direcção».

«Não houve violência física. Apenas lhe toquei no colar porque achei o colar giro, mas não o puxei», alegou.

O processo veio a ter em conta situações anteriores de violência doméstica, ocorridas entre 2006 e 2010, de que a vítima não fazia queixa à polícia por considerar que tal acontecia dada a desproporção física entre marido e mulher, conforme contou esta segunda-feira a vítima em tribunal. Só em 2010 veio apresentar queixa, mas retirou-a depois após reconciliação conjugal, que durou meio ano.

O homem agredia verbal e fisicamente a mulher, levando-a numa das vezes a fazer um traumatismo craniano que a obrigou a ficar internada no hospital e ameaçava-a de morte.

Além do crime de violência doméstica, com pena de prisão prevista entre um e cinco anos, o arguido está também acusado do crime de violação, por alegadamente obrigar, por via da força física, a esposa a ter relações sexuais. Contudo, o colectivo de juízes decidiu arquivar o segundo crime, por falta de provas.

No processo, cuja próxima sessão do julgamento ficou agendada para dia 20, a actual companheira do arguido é também acusada do crime de ofensa à integridade física da queixosa.
Redação / MM