João Paulino diz que lhe garantiram que se entregasse as armas de Tancos "nada lhe ia acontecer" e que os dois militares da GNR com quem falou lhe disseram que o assunto estava "a ser seguido ao mais alto nível", incluindo pelo antigo ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

O autor confesso do furto de Tancos continua a prestar depoimento esta quinta-feira no Tribunal de Santarém.

Admitindo que ficou "assustado" com as notícias sobre o furto, diz que começou imediatamente a pensar entregar as armas, tendo dito a um amigo de infância da GNR de Loulé que tinha informações sobre Tancos. 

Esse amigo tê-lo-á convencido a  falar com Lima Santos, sargento chefe do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé, com quem se encontrou em Pombal. 

Em tribunal, João Paulino garante que apenas falou com dois elementos da GNR, Bruno Ataíde e Lima Santos, sublinhando que não conhece nem falou com outros arguidos da GNR e da Polícia Judiciária Militar, tendo dito a Ataíde e Lima Santos que estava envolvido no assalto "sem lhes dar pormenores". 

E revela que estes lhe diziam que o assunto era sério e estava a ser seguido "ao mais alto nível", inclusivamente pelo ministro da Defesa.

Paulino disse ainda que foi pressionado para prestar declarações na Polícia Judiciária Militar mas que sempre recusou e que a GNR lhe garantiu que "se entregasse as armas, nada lhe ia acontecer". 

O autor do furto disse ainda que foi ele quem colocou as armas no terreno da Chamusca e que não foram os militares a ir buscar o armamento a Tomar.

O processo conta com 23 arguidos, entre eles o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes, o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, o ex-porta-voz da instituição militar Vasco Brazão e vários elementos da GNR do Algarve.

Nove arguidos vão responder por associação criminosa, tráfico e mediação de armas e terrorismo, e os restantes 14, entre eles Azeredo Lopes e dois elementos da PJM, da encenação/encobrimento que esteve na base da recuperação do material, na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

Inês Pereira / BC