O coordenador informático da Procuradoria-Geral da República (PGR), José Luís Cristóvão, estava de férias quando ocorreu o alegado ataque de Rui Pinto ao sistema informático, revelou esta quarta-feira a testemunha no julgamento do processo Football Leaks.

Estive três semanas fora, em novembro, na altura [do ataque] estava ausente. Não me apercebi, depois a Polícia Judiciária (PJ) apareceu com uma série de questões. Como tenho todos os logs [registos de acesso] desde 2013, eu próprio fiz uma pequena investigação e entreguei aquilo à PJ”, afirmou o especialista, no depoimento que abriu a 24.ª sessão no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

Depois de descrever o funcionamento, a orgânica e a distribuição de permissões do sistema informático da PGR, José Luís Cristóvão revelou também que a PGR era “constantemente” alvo de ataques e que tinha já o apoio de uma empresa de consultoria informática, sendo que a mesma elaborou posteriormente um relatório baseado no período em que o criador do Football Leaks teria acedido ao sistema.

Na sequência dessa informação, a procuradora do Ministério Público (MP), Marta Viegas, pediu um intervalo para consultar o relatório. Sem conhecimento até então da existência do documento, a magistrada acabou por requerer a junção do relatório aos autos do processo, ao que a defesa de Rui Pinto não se opôs.

Contudo, as informações do relatório da empresa VisionWare acabaram por travar o rumo da sessão do julgamento, já que o Ministério Público exigiu tempo para estudar o documento e pediu a interrupção da inquirição ao especialista informático da PGR, que será apenas retomada no próximo dia 2 de dezembro.

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