Uma das suspeitas de matar e esquartejar um jovem no Algarve disse, esta quarta-feira, em tribunal, que, "se pudesse, voltava atrás". Só Mariana aceitou falar ao coletivo de juízes, mas pediu que Maria se ausentasse da sala, por não se sentir "à vontade" a falar na sua presença. A arguida Maria tinha já recusado prestar declarações. 

Mariana disse que não matou Diogo e que não seria capaz de matar alguém. A jovem assumiu que fazia "vida de casal" com Maria, em casa dos seus pais, desde 2019. 

Assegurou que não sabia que Diogo, assassinado e esquartejado, tinha recebido uma indemnização e garantiu que só soube que iam a casa do rapaz quando lá chegou. 

A arguida disse ainda que Maria "era paranóica" e que andava sempre com uma faca. Assumiu ainda que sabia que a companheira tinha abraçadeiras no carro. 

Nas declarações perante os juízes, Mariana responsabilizou Maria por todos os  actos relacionados com a morte de Diogo. Disse que, ficou no carro, enquanto Maria entrou em casa do jovem. Quando entrou na casa, já a vítima estava insconsciente e presa numa cadeira. Maria pediu-lhe que verificasse se estava vivo, o que garantiu ter feito: verificou o pulso e iniciou manobras de reanimação. 

Ficou consciente muito rápido e empurrou-me, não percebi porquê", disse  Mariana, em tribunal, esta quarta-feira. 

Contou que Maria a mandou sair da sala e ela foi para um quarto e, quando regressou à sala, Diogo estava novamente inconsciente: "Só conseguia pensar que ele estava morto, não fui capaz de fazer mais nada."

De acordo com o relato que fez em tribunal, Maria tapou Diogo com um cobertor e disse a Mariana que, apesar de ela não ter culpa de nada, precisava da sua ajuda para "limpar tudo". Limpou as superfícies com desinfetante e nunca questionou Maria. Aos juízes, disse que foi Maria quem levou o corpo de Diogo para o carro. 

Sobre levantamentos e transferências: "Não tive opinião sobre o assunto"

Mariana manteve perante o tribunal que Maria foi a única responsável pela morte de Diogo e que sempre lhe disse que ia assumir a culpa toda. Contou ainda que, na noite do crime, lhe contou que Diogo tinha "muito dinheiro na conta" e que, logo nessa noite, fez um levantamento. A única arguida que aceitou prestar declarações em tribunal, recusou qualquer responsabilidade sobre levantamentos e transferências da conta de Diogo: "Não tive opinião sobre o assunto".

A arguida negou que tivesse acendido a luz enquanto Maria desmembrava Diogo e que a companheira atirou o corpo na falésia de Sagres sozinha. Segundo Mariana, era também Maria quem respondia às mensagens no telemóvel de Diogo.

Só no dia seguinte ao homicídio é que Maria contou a Mariana que tinha dado uma substância ao Diogo para dormir. Mariana não foi capaz de perguntar que substância era, nem onde a tinha arranjado.

Plano era das duas e nunca houve mais suspeitos

Durante a tarde foi a vez de ser ouvido um dos inspetores da Polícia Judiciária. A testemunha, responsável pela investigação do caso, começou por afirmar que houve premeditação do crime, dizendo que Maria e Mariana tinham um plano conjunto para cometer o crime.

O responsável diz que a investigação apurou que ambas sabiam da indemnização recebida pela vítima, e que também as duas transportaram o cadáver. Em suma, as duas estiveram presentes em todos os factos que lhes são imputados, tendo ambas beneficiado do dinheiro.

Segundo o inspetor, as imagens analisadas não indiciam que houvesse influência de uma suspeita sobre a outra, acrescentando que foram sempre carinhosas entre si.

Adicionalmente, o responsável afirma que nunca houve mais suspeitos da morte de Diogo.