Já terminou a audição a Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, no âmbito da fase de instrução da Operação Marquês, que durou cerca de três horas e meia. O interrogatório com o juiz Ivo Rosa estava agendado para as 14:00 desta segunda-feira.

Tudo esclarecido. Está tudo esclarecido", disse Mário Lino à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC). 

O ex-ministro das Obras Públicas garantiu que não foi instrumentalizado por José Sócrates, nos tempos em que era ministro do seu Governo, para favorecer o Grupo Lena.

Eu não sei se vocês são instrumentalizados, mas eu não sou", disse aos jornalistas.

Trata-se da segunda vez que é chamado enquanto testemunha a este processo arrolado pela defesa do antigo primeiro-ministro. 

Disse que respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas, nesta que é a reta final da fase de instrução, antes do debate instrutório, agendado para o próximo mês de janeiro.

Relativamente aos negócias com a Venezuela, alegou que "a justiça se deve fazer" e quando questionado se teria contribuído para que assim fosse, Mário Lino disse que "respondeu com a verdade" a todas as questões que lhe foram direcionadas.

Vamos esperar que a investigação chegue a conclusões", afirmou. 

Os temas principais desta inquirição foram: os negócios do TGV, uma vez que a acusação acredita que houve influência, interferência e pressão política por parte de José Sócrates, para que a parceria público-privada fosse adjudicada e um consórcio que pertencia ao Grupo Lena; e ainda os negócios da Venezuela, nomeadamente, os contratos para a construção de milhares de casas pré-fabricadas e algumas viagens com uma comitiva de empresários que visitaram esse país. 

A Operação Marquês teve início em 19 de julho de 2013 e culminou na acusação a 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - pela prática de quase duas centenas de ilícitos económico-financeiros.