A segunda testemunha oculta do julgamento da chamada «Máfia do Vale do Sousa» identificou, nesta segunda-feira, vários arguidos do grupo dos «peixeiros» de Penafiel, garantindo estarem ligados à segurança noturna em estabelecimentos da região.

Com o nome de código «Zé dos Anzóis», a testemunha garantiu que aquele grupo, liderado pelo arguido «Tó Zé», fazia segurança numa discoteca da região e em festas organizadas regularmente na escola secundária da cidade.

Os 44 arguidos deste processo, entre os quais duas empresas de segurança, estão acusados pelo Ministério Público de 142 crimes, 20 dos quais de associação criminosa.

O principal visado na acusação é o chamado «grupo dos peixeiros», de Penafiel, o qual, segundo o Ministério Público, «há já largos anos» se dedicava a «atividades criminosas diversificadas».

Falando por videoconferência, com voz distorcida e imagem oculta, a partir das instalações da Polícia Judiciária, «Zé dos Anzóis» disse ter sido estudante naquele estabelecimento de ensino e saber que o grupo recebia entre 200 e 350 euros por cada festa, nos anos letivos 2007/08 e 2010/11. Disse também que elementos do grupo dos peixeiros ameaçavam a associação de estudantes caso não lhes fosse confiado o serviço de segurança nas festas.

A testemunha disse ainda ter visto «Tó Zé» a agredir uma pessoa no interior da escola, cena que terá sido observada por dois militares da GNR, sem que estes tenham impedido.

Para a sessão de hoje estava prevista a continuação da audição da primeira testemunha oculta arrolada pela acusação, o que não ocorreu, não tendo o tribunal apresentado qualquer explicação.

Perante fortes medidas de segurança na sala de audiências, «Joaquim Patanisca» (nome de código da testemunha) tinha identificado vários arguidos, garantindo que estavam ligados aos grupos que fariam segurança em estabelecimento de diversão noturna de Paços de Ferreira, Paredes e Marco de Canaveses.

Ao longo do depoimento, a juiz auxiliar disse várias vezes que a testemunha estava muito nervosa e cansada, o que provocou a suspensão da audição.

A terceira e última testemunha oculta deverá depor no dia 2 de outubro.

Segundo a acusação, os elementos da «Máfia do Vale do Sousa» obrigavam os donos de cafés, bares e discotecas de Penafiel, Paços de Ferreira, Lousada e Marco de Canaveses a pagarem avultadas quantias de dinheiro pela segurança dos estabelecimentos.

Na decisão instrutória que conduziu à realização do julgamento, justificou-se que se mantém o alarme social associado aos factos de que estão acusados os arguidos, alegadamente praticados entre 2008 e 2010.

Além dos crimes de associação criminosa, os arguidos estão acusados de 43 crimes de extorsão, 16 de exercício de segurança privada, 19 de tráfico de armas, 21 de detenção de arma proibida, 16 de ofensa à integridade física, quatro de ameaça, um de furto, um de coação e um de abuso de poder.
Redação / CM