Um economista acusado de sequestros e de incendiar uma secretária num escritório de advogados do Porto, dias após atirar um carro em chamas contra o portão de escritório similar, alegou hoje em tribunal que agiu sob "carga emocional elevada".

O caminho que segui não foi o mais racional. Mas foi fruto de uma carga emocional elevada", disse o arguido, de nacionalidade espanhola, que se encontra em prisão preventiva, e que começou a ser julgado no tribunal criminal de São João Novo, no Porto, por crimes de difamação, ameaça, injúria, coação, dano, roubo, introdução em lugar vedado ao público e incêndio.

Os casos registaram-se no período entre fevereiro de 2016 e fins do mesmo ano contra escritórios de advogados envolvidos num processo que o homem intentou em tribunal do trabalho contra uma empresa de construção civil por alegado despedimento ilegal.

Trata-se dos escritórios de Alberto Pitta de Meireles e de Nuno Cerejeira Namora, Pedro Marinho Falcão & Associados.

As ações de retaliação terão ocorrido após o economista recusar assinar um acordo indemnizatório, exigindo mais dinheiro, e recusar o pagamento dos honorários ao escritório de advogados que o representou naquele processo.

Ocorreram também após os advogados credores avançarem com a penhora da sua casa e com uma acusação por difamação.

Num depoimento longo, algo confuso e durante o qual foi alvo de frequentes admoestações do juiz presidente, o arguido foi, porém, perentório a negar a acusação do Ministério Público de que usou uma arma numa das suas investidas a um dos escritórios de advogados.

O julgamento prossegue à tarde.