“A paciência do corpo de guardas já chegou ao limite. Nós já demos muito tempo, estamos a falar em anos, à tutela para resolver o problema de segurança dentro dos estabelecimentos prisionais, do corpo de guardas, dos reclusos e dos trabalhadores que lá se encontram", considera Júlio Rebelo, presidente do Sindicato Independente dos Guardas Prisionais, em declarações à TVI24. 

Um motim entre reclusos ocorreu na ala B do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), onde cerca de 190 presos se recusaram a recolher às celas. O protesto aconteceu no quarto dia de greve dos guardas prisionais, que terá registado uma adesão da ordem dos 80%, segundo fontes sindicais. Júlio Rebelo acusa tutela de não resolver e ignorar estes problemas nos estabelecimentos prisionais.

Utilizando como exemplo este motim que se realizou nesta terça-feira, no Estabelecimento Prisional de Lisboa, o presidente do Sindicato afirmou que o "corpo de guardas não é suficiente" para garantir qualquer tipo de segurança. Disse ainda que qualquer situação que aconteça nas cadeias portuguesas é culpa única, e exclusivamente, da tutela, que tem ignorado completamente o problema.

“O corpo de guardas e os sindicatos vão usar as armas que têm ao seu dispor, e a partir daí, a tutela é avisada com antecedência do que vai acontecer, e tem que tomar medidas”.

Júlio Rebelo garantiu à TVI24 que o plenário que deu origem ao motim de reclusos estava marcado há vários dias, tendo havido tempo para as famílias serem avisadas de que não se iriam realizar as habituais visitas. Os reclusos, no entanto, só foram informados desta situação uma hora antes de serem fechados nas celas. E "isto pode ter levado a que se tenham sentido enganados", explica.