O antigo ministro Armando Vara vai, esta quarta-feira, depor a seu pedido na instrução do processo Face Oculta, no qual é arguido, tendo os seus advogados já dito várias vezes que a «politização» do caso tem prejudicado a defesa.

Para o advogado Tiago Rodrigues Bastos há uma «extraordinária politização» do processo judicial, sendo a face mais visível as escutas telefónicas, que tanta polémica têm gerado e que ainda não foram destruídas, mesmo depois da ordem do presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Aliás, as escutas telefónicas, que envolvem Armando Vara e o primeiro-ministro, têm provocado, na opinião do advogado, «uma fricção entre magistrados que é preocupante».



Para Tiago Bastos, a politização e mediatização do processo, sobretudo devido às relações entre o ex-administrador do Millenium/BCP e José Sócrates, «é indesejável e tem dificultado o papel da defesa».

O advogado de Vara pretende utilizar mais esta oportunidade, com a audição desta quarta-feira, para «esclarecer todos os equívocos», estando confiante de que o seu cliente não irá ser julgado.

Armando Vara está acusado de três crimes de tráfico de influência, sendo suspeito de ter recebido 25 mil euros do empresário Manuel Godinho, o único arguido detido preventivamente.
Redação / MM