(ACTUALIZADO ÀS 13:00)

Manuel Guiomar, o único arguido que se encontra a ser ouvido, desde as dez horas, no Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, no âmbito do processo Face Oculta, saiu para almoçar, devendo o interrogatório recomeçar às 14 horas, conforme referiu a advogada do arguido.

Os interrogatórios aos dois arguidos Manuel Costa e Paulo Costa (pai e filho), alegados colaboradores de Manuel Godinho nos crimes em investigação, no processo «Face Oculta», deveriam ter lugar esta quinta-feira de manhã no Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, mas foram adiados para 23 de Novembro, anunciou o advogado de ambos, Pedro Marinho Falcão.

O jurista lamentou que o juízo de Instrução Criminal de Baixo Vouga, em Aveiro, não tivesse justificado as razões do adiamento e insurgiu-se por só agora ser informado do facto. «Assim vai a justiça», criticou.

O adiamento terá a ver com o facto de ainda decorrerem diligências de investigação lideradas pelo Ministério Público.

Manuel Guiomar, funcionário da Rede Ferroviária Nacional (REFER), e arguido no processo «Face Oculta», chegou também esta manhã ao edifício do Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, onde deverá estar a ser ouvido em interrogatório pelo juiz de instrução António Costa Gomes.

À entrada do edifício, a advogada do arguido, Poliana Pinto Ribeiro, afirmou à TVI que Manuel Guiomar está indiciado por «alegadamente ter movido algumas influências no âmbito de concursos deste processo», acrescentando que o arguido desconhece os crimes pelos quais está indiciado.

Por outro lado, a jurista admitiu que o arguido conhece o empresário de Ovar, Manuel Godinho, em prisão preventiva, mas sempre manteve com ele um relacionamento puramente institucional.

Questionada sobre a medida de coacção que poderia ser aplicada ao cliente, a advogada referiu que «saindo com o Termo de Identidade e Residência como está actualmente sai bem».

Refira-se que o TIR é a medida de coacção mais leve e obrigatoriamente aplicada no momento da constituição de arguido. A ela podem acrescer outras medidas mais gravosas, designadamente a prisão preventiva.

No total, foram já constituídos 15 arguidos no processo que envolve altos quadros de empresas públicas ou participadas pelo Estado, suspeitos dos crimes de corrupção, tráfico de influência, associação criminosa e falsificação de documentos, incluindo o administrador do BCP, Armando Vara, o presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), José Penedos, e o seu filho Paulo Penedos, advogado de uma das empresas do empresário de Ovar.

O caso incide sobre um grupo económico de Aveiro, que integra a empresa O2, Tratamento e Limpezas Ambientais S.A, dedicada à gestão e tratamento de resíduos.

Vários gestores e quadros de empresas são suspeitos de favorecer a empresa de Ovar na adjudicação de contratos na área da gestão de resíduos, mediante contrapartidas.
Redação / CR