O primeiro dia da fase de instrução da Operação Marquês resume-se a quatro horas. Armanda Vara viu adiada "a primeira saída da prisão", desde que se entregou na prisão de Évora, devido à greve dos tribunais. A audição, marcada para esta segunda-feira, foi adiada para o próximo dia 5 de fevereiro

Bárbara Vara, foi a primeira arguida a ser ouvida na fase de instrução. A estratégia da defesa passa por ilibar a filha do ex-ministro por "desconhecimento do que se passava", algo que o próprio Armando Vara contou em entrevista à TVI

No final da primeira sessão da fase de instrução, Rui Patrício, advogado da família Vara, escusou-se a relatar o que aconteceu na sala de audiências. 

Quem marcou presença na fase de instrução foi Proença de Carvalho, o advogado de Ricardo Salgado, apesar de este arguido ter prescindido desta fase. O advogado garantiu à entrada da sessão que acredita que o ex-banqueiro vai ser ilibado

sta fase processual facultativa funciona como um mecanismo de controlo jurisdicional da acusação do Ministério Público e termina com a decisão do juiz de levar ou não a julgamento os arguidos.

instrução foi requerida por 19 arguidosentre os quais o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o ex-ministro Armando Vara (atualmente preso em Évora, por ter sido condenado no âmbito do processo Face Oculta), os ex-administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o empresário Carlos Santos Silva.

Por sorteio eletrónico, não isento de polémica, calhou, precisamente há quatro meses, ao juiz Ivo Rosa dirigir esta fase processual.

Esta fase de instrução contará com audiências nos três últimos dias de cada mês.

Mais de 53.000 páginas

O processo Operação Marquês, que teve início em julho de 2013, resultou numa acusação de 188 crimes, a maioria de branqueamento de capitais, vertida em mais de quatro mil páginas, 134 volumes, mais de 500 apensos e registos de mais de 180 buscas e interceções telefónicas.

No total, são mais de 53 mil páginas de papel, espalhadas por duas salas do TCIC, na rua Gomes Freire, em Lisboa.

O que a acusação sustenta sobre José Sócrates

José Sócrates, que esteve preso preventivamente e em prisão domiciliária e está acusado de 31 crimes económico-financeiros, pediu para depor nesta fase processual.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santo (GES) e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Entretanto, no fim de semana que passou, o Expresso noticiou que foi a Caixa Geral de Depósitos a denunciar o ex-primeiro-ministro, em abril de 2013, a propósito de “um esquema” segundo o qual “recebeu de forma indireta” mais de meio milhão de euros do empresário da construção civil e obras públicas, seu amigo, Carlos Santos Silva.

José Sócrates logo reagiu, considerando ilegal a “investigação secreta” - a manchete do semanário utilizava estes mesmos termos - feita antes da abertura do inquérito do processo da Operação Marquês. 

Nesse mesmo dia, na TVI24, o advogado de José Sócrates, João Araújo, não encontrou motivos para qualquer tipo de polémica: "Todos os dias as pessoas transferem dinheiro para os filhos".