Manuel Maria Carrilho foi acusado esta semana pelo Ministério Público de ter agredido um médico psiquiatra no intervalo de um julgamento. O caso ocorreu a 22 de janeiro no Campus da Justiça, em Lisboa, no intervalo de uma das sessões do julgamento do processo sobre a tutela e proteção dos filhos, que disputa com a ex-mulher Bárbara Guimarães. 

O antigo ministro da Cultura foi acusado dos crimes de ofensa à integridade física qualificada e injúria agravada por ter agredido o pedopsiquiatra Pedro Strecht depois de este ter prestado depoimento. 

Segundo o Jornal de Notícias, que cita fonte próxima do processo, Carrilho saiu da sala e "empurrou" o médico "contra a parede".

A acusação foi divulgada num comunicado da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), que se refere ao antigo ministro como "professor universitário".

De acordo com o comunicado, Carrilho apelidou o médico de "filho da mãe", "cabrão", "miserável" e "cafre".

"No essencial está indiciado que o arguido, professor universitário, no dia 22.01.16, no intervalo de um julgamento no âmbito de um processo de promoção e protecção visando os seus dois filhos menores, que decorreu no Campus de Justiça, em Lisboa, após o ofendido, ter, na qualidade de médico psiquiatra, prestado depoimento, agrediu-o, provocando-lhe dores, e injuriou-o, apelidando-o de «filho da mãe», «cabrão», «miserável» e «cafre»", lê-se no site da PGDL.

Ainda segundo a PGDL, Carrilho ficou sujeito a Termo de Identidade e Residência, num inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Carrilho lembra que já tinha denunciado Pedro Strecht em tribunal

Manuel Maria Carrilho já regiu à notícia do JN. Em comunicado, Carrilho não admite nem desmente as acusações, mas lembra quem é Pedro Strecht, o pedopsiquiatra que já havia denunciado em tribunal.

"Trata-se de Pedro Strecht, pedopsiquiatra cuja atuação de conúbio com a minha ex-mulher denunciei em tribunal, em Janeiro de 2016, atuação que visava descredibilizar os depoimentos feitos pelo meu filho no Tribunal Criminal de Lisboa, em janeiro de 2015, e no Tribunal de Menores, em janeiro de 2016. Declarações que infelizmente tiveram ampla divulgação pública, e cuja autenticidade foi certificada por técnicos do Instituto de Medicina Legal, contrariando assim frontalmente um relatório de Pedro Strecht que, depois de uma única consulta, ele se dispôs a fazer de acordo com as conveniências judiciais da minha ex-mulher, e mentindo sem escrúpulos sobre a situação do meu filho."

O ex-ministro acrescenta que o artigo publicado pelo Jornal de Notícias "contém várias falsidades que não constam do processo, mas que a jornalista apresenta como se constassem, como na ocasião e local próprios se demonstrará."

Carrilho afirma, por fim, que a assistente do pedopsiquiatra, presente, "afirmou nada ter visto" e chama a atenção para a quem são as testemunhas de Pedro Strecht.

É importante acrescentar que a própria assistente de Pedro Strecht, ali presente e indicada como testemunha, afirmou no processo (de resto, ainda em período de instrução) nada ter visto. Mas mais importante, ainda, é o facto de as outras duas únicas testemunhas de Pedro Strecht nesta falsa acusação serem o Dr. Pedro Reis, advogado da minha ex-mulher, e a sua filha Inês Reis. O que, a meu ver, diz tudo sobre a intenção e a credibilidade desta falsa acusação."

"Por fim, não será certamente por acaso que esta peça surge um dia depois de o Ministério Público ter pedido a minha absolvição num processo análogo, em que a irmã e o cunhado da minha ex-mulher me acusavam – para não variar – de agressões e de injúrias."

Redação / SS