Os jornalistas e editores de justiça da TVI, Henrique Machado e Miguel Fernandes, juntaram-se, esta quinta-feira, aos advogados Pedro Barosa e Sofia Matos para debater os principais casos da justiça portugueses, num Especial Informação, apresentado por Raquel Matos Cruz na TVI24.

A Procuradora-Geral da República suspendeu a polémica diretiva sobre a autonomia interna dos magistrados do Ministério Público. Lucília Gago pediu um parecer suplementar ao conselho consultivo, isto depois das dúvidas quanto às consequências na independência do Ministério Público.

A advogada Sofia Matos relembrou que, tal como todas as outras instituições, também o Ministério Público tem “uma estrutura hierárquica” que tem que ser respeitada.

Já o editor de justiça da TVI, Henrique Machado, considerou que a Procuradora sai fragilizada de todo este processo.

Lucília Gago comunica pouco e comunica mal”, afirmou Henrique Machado e acrescentou “o superior hierárquico não deve ser um cargo decorativo".

O caso do pirata informático Rui Pinto, que aguarda julgamento em prisão preventiva, continua a dar que falar. Para sexta-feira está marcada uma conferência de imprensa da defesa do hacker português que reclama o estatuto de denunciante.

Rui Pinto é uma bomba relógio”, afirmou Sofia Matos, "o hacker há de ter muito mais coisas sobre muito mais pessoas".

A advogada admitiu que existe uma crescente pressão por parte da defesa de Rui Pinto para o “politizar”. Sofia Matos recordou que o pirata informático é “muito querido” por querer investigar pelas suas próprias mãos. No entanto, sublinhou que “para chega a um fim, utiliza meios que não são permitidos pela lei”.

Henrique Machado relembrou que o hacker não se encontra preso por ter acedido à informação de forma ilícita, mas sim por extorsão, ao tentar receber uma contrapartida financeira da Doyen para não publicar a documentação e os dados a que teve acesso.

Ele está preso por extorsão, algo que não passa muito bem a quem quer ter uma aura de Robin dos Bosques” e acrescenta “a prova foi obtida de forma ilícita". 

 

Os inspetores da Polícia Judiciária têm o know-how de Rui Pinto, o que não têm é a lei do seu lado". 

A violência no futebol tem vindo a aumentar. Agressões e insultos a dirigentes do Sporting, arremesso de tochas nos estádios, bonecos enforcados em dia de dérbi, sem esquecer o caso da invasão à academia de Alcochete e a morte do adepto italiano Marco Ficini.

O superintendente da PSP, Luís Elias, esteve presente no debate para falar sobre este fenómeno, onde defendeu ser necessário vedar acesso aos estádios aos infratores.

Nós conhecemos os adeptos de risco”, afirmou.

Luís Elias defendeu que Portugal deveria implementar um modelo idêntico ao inglês, em que se pode consultar no site da polícia o número de adeptos interditos de entrar em estádios e de que clubes são.

Ainda não encontrámos solução para resolver a violência no desporto”, referiu Sofia Matos.

Todos os presentes concordaram que os clubes “devem fazer mais” e não ter medo de agir “com medo de perder adeptos”.

Os clubes têm responsabilidades a partir do momento em que acolhem pessoas com este tipo de comportamentos dentro do seu espaço”, afirmou o editor de justiça da TVI Miguel Fernandes.