Henrique Machado, editor de Justiça da TVI e alvo da vigilância dos agentes da PSP, considera que o caso da magistrada que ordenou a vigilância de dois jornalistas vai ficar para a história como a maior cobardia processual, em Portugal.

O jornalista sublinhou que considera “legítimo” estar a ser investigado por violação do segredo de justiça, no entanto, considera “estranho” não haver uma explicação no processo sobre o que é que a PSP fez para o vigiar.

Sei que a senhora deu uma ordem, mas não sei se foi cumprida. Se não foi cumprida eu quero uma explicação no processo porque é que não foi executado em relação a mim”, frisou.

Rogério Alves considera que existiu “uma enorme desproporção nos métodos utilizados” nesta investigação, ainda assim, o advogado sublinhou que a ordem de vigilância “pode ser feita” no âmbito da investigação.

As fontes estão para um jornalista como o segredo profissional está para o advogado. Sem fontes não há jornalismo, sem segredo profissional não há advocacia. Ambos têm sido bastante mal tratados neste tempo de securitarismo”, explicou.

Sofia Branco, do sindicato dos Jornalistas, considerou que este é “um caso sem precedentes” que faz lembrar “outros tempos”, uma vez que fica posta em causa o direito constitucional de salvaguardar as fontes.

Leonete Botelho, da comissão da Carteira Profissional de Jornalista, mostrou-se “preocupada com o caso” e lembrou que a salvaguarda das fontes é fundamental e, caso não existisse, talvez os portugueses não conhecessem alguns dos maiores casos de corrupção do país. 

Redação