O Governo anunciou hoje a criação de uma equipa multidisciplinar de acompanhamento permanente dos lares que pode ser chamada em caso de emergência, enquanto as Forças Armadas podem ajudar na higienização de lares.

Os anúncios foram feitos pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, no final de uma reunião com a comissão permanente do setor social, para tentar controlar a disseminação do novo coronavírus, em especial nos lares de idosos que nos últimos dias registou vários casos de doentes com covid-19, a doença provocada pelo coronavírus.

Esta é a segunda reunião a realizar-se nas últimas três semanas entre entidades do setor social para encontrar medidas para controlar a pandemia, que já matou 23 pessoas em Portugal.

No final do encontro e em declarações aos jornalistas, Ana Mendes Godinho lembrou que “as Forças Armadas têm sido um parceiro essencial”.

Além de irem participar num “programa de sensibilização dos lares sobre formas de agir”, que será lançado em breve, “em algumas situações, as Forças Armadas poderão ajudar em alguma situação que seja preciso fazer a higienização”.

Nos últimos dias, vários responsáveis por lares denunciaram problemas na tentativa de controlar a disseminação do vírus, desde a inexistência de materiais de proteção para os funcionários, como luvas ou máscaras, até à dificuldade em aceder à linha Saúde 24 para despistagem de casos.

Desde que o novo coronavírus surgiu, em dezembro do ano passado, que se sabe que os idosos são o principal grupo de risco da doença.

A ministra recordou que no final da semana passada foi pedido às instituições que fizessem um levantamento das suas necessidades e que hoje na reunião esse foi um dos temas analisados.

A falta de meios humanos é um dos problemas apontados pela União das Misericórdias Portuguesas e pela Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso.

Nos últimos dias houve várias notícias dando conta de lares que entraram em situação de rutura.

Para ajudar estas instituições, o Governo criou uma equipa de acompanhamento permanente das situações que garante uma articulação entre a Direção-Geral da Saúde, Proteção Civil, Instituto de Segurança Social e autarquias e também o setor social “para dar resposta às situações que vão surgindo nos lares”, sublinhou a ministra.

Num lar, a percentagem de funcionários infetados com a Covid-19 fez com que apenas três pessoas estivessem disponíveis para tratar dos idosos, chamando a atenção para falhas nos Planos de Contingência, que deve prever equipas de prevenção preparadas para atuar em caso de necessidade.

No entanto, os representantes do setor social lembraram que existem lares onde essa é uma medida impossível de pôr em prática.

Hoje também a ministra Ana Mendes Godinho lembrou que “é fundamental que haja recursos humanos” que permitam alternar equipas e sublinhou a importância de recorrer a voluntários ou pedir ajuda à nova equipa de acompanhamento permanente.

 

Instituições sociais podem abrir sem parecer da Segurança Social

O Governo vai permitir a abertura de todas as instituições de respostas sociais, que aguardam autorização, assim como a flexibilidade de respostas “para conseguir chegar a quem mais precisa neste momento” de disseminação da Covid-19”.

O anúncio foi feito pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. 

Descomplicação completa do que são processos burocráticos”, foi a expressão usada hoje pela ministra para explicar o que o Governo decidiu fazer no atual "momento de emergência", que já provocou 23 mortos em Portugal.

“Nesta fase vai haver uma grande flexibilidade na capacidade de respostas sociais que podem ou não ser desenvolvidas pelas instituições para conseguir chegar a quem mais precisa neste momento, independente daquilo que está definido em termos de acordos, para garantir que as respostas são dadas em função das necessidades”, explicou.

A ministra garantiu que esta medida foi combinada com os parceiros da economia social e é agora assumida pelo Governo.

A outra decisão prende-se com os espaços que aguardavam um parecer do Instituto de Segurança Social para poder abrir.

“Dei orientações nesse sentido para que todas as respostas sociais que estejam em condições de abrir, possam desde já ser abertas independentemente do parecer final do Instituto de Segurança Social. O que importa é que estas respostas rapidamente estejam ao serviço e estejam abertas”, anunciou.

Nos últimos dias, vários responsáveis por lares denunciaram problemas na tentativa de controlar a disseminação do vírus, desde a inexistência de materiais de proteção para os funcionários como luvas ou máscaras até à dificuldade em aceder à Linha Saúde 24 para a despistagem de casos.

Desde que o novo coronavírus surgiu, em dezembro do ano passado, que se sabe que os idosos são o principal grupo de risco da doença.

A ministra recordou que no final da semana passada foi pedido às instituições que fizessem um levantamento das suas necessidades e que hoje na reunião esse foi um dos temas analisados.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral de Saúde.

Dos infetados, 201 estão internados, 47 dos quais em unidades de cuidados intensivos.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira até às 23:59 de 02 de abril.

/ BC