O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, disse esta terça-feira que a reunião de mais de três horas com o Governo “foi inconclusiva”, mas que “houve pontos de convergência”.

À saída da reunião no Ministério da Administração Interna, em Lisboa, Marta Soares foi parco em palavras e, sem avançar pormenores, explicou que as propostas discutidas serão analisadas esta noite numa reunião do Conselho Nacional da liga, que decorrerá em Pombal, Coimbra.

Segundo o dirigente da LBP, caso o Conselho Nacional “estiver de acordo” com as sugestões apresentadas em sede de negociação, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, fará uma proposta fundamentada até ao final deste mês.

Caso isso aconteça, isto poderá permitir “um acordo” até ao final de janeiro para desbloquear o diferendo que opõe a Liga ao Governo.

O ministro da Administração Interna e a Liga debateram as várias propostas na área da Proteção Civil, nomeadamente as alterações à lei orgânica, que têm gerado maior contestação.

O encontro ocorre depois de a LBP ter abandonado a estrutura da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) e suspendido a informação operacional por parte dos bombeiros aos comandos distritais de operações e socorro (CDOS).

O presidente da LBP assegurou que esta atitude dos bombeiros não põe em causa a segurança e o socorro aos portugueses, garantindo que os bombeiros continuarão a funcionar “exatamente na mesma”.

No entanto, Eduardo Cabrita deu na sexta-feira passada indicações à ANPC para participar ao Ministério Público (MP) a situação de “grave risco” resultante da ausência de comunicação dos bombeiros ao Comando Distrital de Operações de Socorro de Lisboa de um incêndio no concelho de Cascais.

Eduardo Cabrita determinou também à ANPC a abertura de um inquérito para apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares.

Em resposta, Marta Soares afirmou que o ministro da Administração Interna pretende atemorizar os bombeiros e que vai analisar com o gabinete jurídico a apresentação de uma queixa-crime contra Eduardo Cabrita.

O Governo aprovou, em Conselho de Ministros em 25 de outubro, a proposta de alteração à Lei Orgânica da ANPC, que vai passar a designar-se Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Com esta proposta, o Governo acaba com os atuais 18 comandos distritais de operações e socorro e cria cinco comandos regionais e 23 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil.

O Governo pretende que o novo modelo da Proteção Civil passe a ter uma base metropolitana ou intermunicipal.

A proposta do executivo prevê também a criação de um Comando Nacional de Bombeiros com autonomia financeira e orçamento próprio, cujo responsável máximo será designado depois de ouvida a LBP.

A LBP classifica a proposta como “completamente desajustada da realidade do país” e considera que vai interferir na autonomia das associações de bombeiros.

A Liga reivindica uma direção nacional de bombeiros “autónoma independente e com orçamento próprio”, um comando autónomo de bombeiros e o cartão social do bombeiro.

Em 24 de novembro passado, a LBP realizou uma concentração de protesto na Praça do Comércio, em Lisboa, um dia depois de a Liga se ter reunido com Eduardo Cabrita sem ter sido alcançado qualquer entendimento.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu, no sábado, que o Governo e a LBP devem dialogar para ultrapassar as divergências.