O Tribunal de Leiria condenou estar terça-feira um homem a seis anos e seis meses de prisão por vários crimes, entre os quais tentativa de homicídio de uma ex-funcionária.

O coletivo de juízes alterou a qualificação jurídica do crime de homicídio qualificado na forma tentada para homicídio simples na forma tentada, agravado pelo uso de arma.

Além deste crime, o arguido, um empresário de 65 anos, foi condenado pelos crimes de detenção de arma proibida, coação agravada, ameaça agravada e simulação de crime.

O coletivo de juízes considerou ainda procedente o pedido de indemnização de cerca de 50 mil euros.

"Arma não dispara sozinha”

Ao tribunal, o arguido, que explorava uma oficina de estofos em Pombal, confessou que disparou sobre uma ex-funcionária de forma acidental, negando parte da acusação, que refere que o suspeito ameaçou a jovem.

Para o coletivo de juízes, “a arma não dispara sozinha”.

Durante o seu depoimento, o arguido admitiu que tinha "dado uns beijinhos" à ex-funcionária, uma jovem de 22 anos, mas desmentiu que a tivesse ameaçado de morte, assim como à sua mãe, quando a vítima se quis despedir.

O homem explicou que tinha uma caçadeira guardada na oficina na localidade de Tinto, no concelho de Pombal, distrito de Leiria, "porque já tinha sido assaltado várias vezes e andava atemorizado", garantindo que nunca apontou a arma à jovem.

Quanto ao disparo, o homem referiu que tinha a arma apontada para baixo quando a vítima o empurrou.

No meio daquilo dei um disparo, mas nem sabia para onde estava apontada a arma", explicou.

"Fiquei paralisada"

Versão diferente foi apresentada pela vítima. Num testemunho muito emocionado, sempre a chorar, a jovem disse que foi ameaçada de morte dias antes e que aceitou ir à oficina entregar a chave para proteger a mãe, a quem o arguido também tinha proferido as mesmas ameaças.

Quando estava para me vir embora, vi-o ir a correr mexer numa caixa e parei. Fiquei paralisada. Foi quando ele me apontou a arma e disse para me sentar ou então matava-me", contou, referindo que acabou por ser baleada na perna.

Segundo a jovem, o homem recusou chamar socorro, acedendo apenas depois dela prometer que o perdoava, que ficava com ele e que iria dizer à GNR que tinha sido vítima de um assalto.

Desmentindo qualquer envolvimento com o ex-patrão, a jovem acusou o arguido de se insinuar de forma mais íntima e de a tentar controlar, com telefonemas e idas à sua casa.

"Interesse sexual"

Segundo o despacho de acusação, em julho de 2016, a jovem começou a trabalhar na oficina de estofos do arguido.

Um mês volvido, o arguido começou a demonstrar interesse sexual pela assistente, com alusão a sentimentos amorosos e desejo de envolvimento sexual com a mesma”, lê-se no documento.

Depois de uma discussão entre o suspeito, a vítima e um amigo desta, com intervenção da PSP de Pombal, a jovem decidiu não ir trabalhar dois dias depois.

No dia em que decidiu ir à oficina entregar as chaves e despedir-se, o ex-patrão "referiu à assistente que gostava muito dela e para esta continuar a trabalhar na oficina".

Não correspondendo aos intentos do arguido, a assistente manifestou a sua vontade em ir embora. Com a arma apontada à assistente, ordenou à mesma que não abandonasse a oficina, porque se o fizesse disparava", refere a acusação do Ministério Público.

Pouco depois, "sem que nada o fizesse esperar, o arguido, a três metros da assistente, efetuou um disparo, na sua direção, que a veio a atingir na perna esquerda".