Leonardo DiCaprio apresentou na cimeira do clima, que decorre em Glasgow, na Escócia, um documentário sobre o incêndio de Pedrógão Grande em 2017.

DiCaprio parte deste exemplo para explicar a importância da reflorestação do território.

Chama-se "From devil's breath", em português "O sopro do diabo".

Até podia ser um filme, mas é um documentário sobre as alterações climáticas inspirado em Pedrógão Grande e produzido pelo ator norte-americano.

Alerta para as consequências dramáticas das alterações climáticas, baseado nos testemunhos de sobreviventes, como o de Nádia Piazza, que perdeu o filho de cinco anos, o ex-marido e a sogra no trágico incêndio.

Vejo a mesa posta para o jantar. A mesa estava limpa, eles não tinham jantado. Depois saí, sentei-me ao lado do cão, porque o cão sobreviveu. Havia um cão preso à casa, a casa sobreviveu, o fogo passou pela casa, sentei-me ao lado do cão e chorámos os dois, porque eu sabia que eles tinham morrido", relembra a vítima dos incêndios no documentário.

Ao longo de quase 50 minutos recorda-se a tragédia daquele verão, que matou mais de 60 pessoas.

O documentário serve, sobretudo, para chamar a atenção para as alterações climáticas: o mundo está a mudar, nós temos culpa, mas também podemos ajudar nas soluções para salvar o que ainda resta.

O documentário está muito focado no problema da reflorestação. É sobretudo um documentário de esperança, baseado naquilo que é a nossa missão enquanto seres humanos que habitam neste planeta, que é muito pequeno”, conta Nádia Piazza à TVI.

Leonardo DiCaprio chamou a esta história uma história importante, emocionante, poderosa e oportuna.

Mas é preciso arregaçar as mangas.

Efetivamente, quando olhamos para o território não temos floresta. A floresta é algo com vida. O que nós temos é uma única espécie, uma monocultura de só uma espécie que afeta diretamente a biodiversidade. E, para além disso, após o incêndio, temos uma agravante, que são todas as espécies invasoras que evoluíram e desenvolveram-se em grande escala no território", apontou Sofia Ramos Leal, engenheira florestas da Câmara de Pedrógão. 

Redação / CM