Os danos provocados pela passagem da tempestade tropical Leslie são "muito significativos" na rede de distribuição de energia e não há ainda data para a conclusão dos trabalhos, disse este domingo a EDP Distribuição.

Com a circulação de viaturas possível no dia de hoje, bem como o sobrevoo de helicóptero, foi possível confirmar danos muito significativos provocados pelo furacão Leslie na rede de distribuição de energia", refere a empresa em comunicado, num balanço à situação às 19:00.

Atualmente, "estão sem energia elétrica cerca de 100 mil habitações", o mesmo número que tinha sido avançado pela EDP Distribuição durante a tarde.

Destacou que "há zonas muito preocupantes no distrito de Coimbra, em particular as localidades abastecidas pelas subestações de Louriçal e Soure, onde várias linhas de alta e média tensão (AT/MT) permanecem inoperacionais, com postes danificados".

Perante a dimensão dos estragos, "não é ainda possível estimar a data para a conclusão dos trabalhos".

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No entanto, "a reparação de linhas, bem como o reforço de meios auxiliares como sejam geradores de emergência (50 instalados neste momento) tem permitido uma progressiva redução de situações de avaria".

A EDP Distribuição mantém um contingente de mais de 500 operacionais no terreno, tendo mobilizado, desde cedo, equipas noutros locais do país", continuou.

A EDP Distribuição "está, como sempre, fortemente empenhada e a desenvolver todos os esforços para a normalização do serviço de fornecimento de energia tão rapidamente quanto possível", referiu, salientando que "mantém a colaboração com todas as entidades envolvidas nestes processos, nomeadamente Proteção Civil e autarquias".

No balanço ao início da tarde o presidente do Conselho de Administração da EDP Distribuição, João Torres, disse que “mais de 100 mil consumidores” permaneciam sem energia, “depois de terem chegado aos 300 mil. Nesta altura, em relação aos danos que tivemos esta foi a situação mais critica na nossa história e que nos provoca mais incertezas quanto à estimativa de quando tudo estará solucionado", afirmou.

A passagem do Leslie por Portugal, no sábado e hoje, provocou um morto, 28 feridos ligeiros e 61 desalojados.

A Proteção Civil mobilizou 8.217 operacionais, que tiverem de responder a 2.495 ocorrências, sobretudo queda de árvores e de estruturas e deslizamento de terras.

O distrito mais afetado pelo Leslie foi o de Coimbra, onde a tempestade, com um "percurso muito errático", se fez sentir com maior intensidade, segundo o comandante nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

MAI garante energia elétrica ainda esta noite em Soure

O ministro da Administração Interna, Eduarda Cabrita, garantiu que a vila de Soure, um dos concelhos mais afetados pela passagem do furação Leslie, que atingiu a região Centro, terá energia elétrica ainda esta noite.

A proteção civil continua a trabalhar intensamente aqui e, por isso, iremos ainda hoje assegurar, com recurso a geradores, a sede de concelho terá energia elétrica esta noite", disse o governante, à saída dos Paços do Concelho de Soure, após uma reunião com os presidentes do município e das juntas de freguesia.

Segundo Eduardo Cabrita, esta é uma forma de atenuar o principal problema que afeta todo o concelho, "enquanto a empresa distribuidora vai intervindo nos elementos estruturais que afetam hoje praticamente todo o concelho".

O ministro da Administração Interna adiantou ainda que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, em articulação com a autarquia, iniciou o trabalho de identificação dos prejuízos em habitações, nas empresas, equipamentos municipais e públicos e também na agricultura.

Noventa por cento das habitações de oito das dez freguesias de Soure sofreram danos na sequência do furacão Leslie, que atingiu a região Centro, no sábado, disse hoje o presidente da Câmara, Mário Jorge Nunes, que decretou o estado de calamidade pública no concelho.

Do levantamento já feito há um número muito significativo de habitações afetadas, ainda que não ponham em causa a sua utilização, na sua esmagadora maioria, mas será necessária uma intervenção rápida para que a vinda de chuva não agrave os danos", salientou.

Eduardo Cabrita salientou "a grande capacidade de atuação da Autoridade Nacional de Proteção Civil, com o reforço de meios, que, em estreita articulação com a proteção civil municipal e com as forças de segurança, permitiu que num concelho bastante afetado por este fenómeno meteorológico não se tivesse verificado nenhum dano pessoal significativo".

Confrontando pelos jornalistas, o ministro da Administração Interna não quis falar da possibilidade de o Governo apoiar financeiramente os estragos nos concelhos afetados sem ter uma avaliação rigorosa dos prejuízos.