A sua primeira língua é a Língua Gestual Portuguesa (LGP), mas a sua determinação, essa é expressa numa língua universal.



Os problemas são os mesmos que os de todos jovens: as notas, as miúdas, os namorados, as amigas, o futebol.

Aqui, a surdez existe, mas não é uma marca de identidade.  
 

«Aqui estamos todos muito sensibilizados. Mas acredito que ainda há muitos surdos em muitas escolas do país que são olhados como incapazes. Estamos um bocadinho distanciados dessa realidade. Muitos continuam a achar que eles só podem fazer trabalhos práticos, ou de pedreiro ou de canalizador, por exemplo. Não!» explica Mónica Silveira, em declarações à TVI24.




O aluno em causa estava ao abrigo de um programa curricular especial devido a uma alegada capacidade cognitiva inferior que estaria relacionada com a surdez

  

«Se eu não tiver acesso à informação não vou estar em pé de igualdade com os ouvintes», refere Maria Arlinda, de 18 anos.








«Sinto que os ouvintes têm uma ligação muito forte entre eles e eu não sinto essa ligação com eles. Sinto-me mais isolada. Tenho algumas dificuldades na comunicação com a sociedade e às vezes penso como vai ser o futuro», diz Maria Arlinda




No caso dos jovens surdos, as dificuldades podem ser acrescidas.





artes gráficas e da publicidade como casos de sucesso de integração dos alunos no mercado de trabalho.









admitem que têm mais dificuldades em comunicar

A razão parece ser simples: afinal, falam a mesma língua.
  «Gosto de falar sobre a minha vida com os meus amigos surdos e partilhar as nossas experiências e as expectativas para o futuro.», conta Maria Arlinda.









as declarações dos jovens surdos com que a TVI24 falou deixam adivinhar que na maioria dos casos, há sempre uma alternativa para que consigam comunicar com os ouvintes que não sabem língua gestual.

  «Ela estava à espera do autocarro e na paragem estava outra pessoa. Essa outra pessoa tentou assalta-la e começou a agarrá-la. Ia a passar um carro da polícia, mas quando a polícia chegou pensou que era a aluna que estava a assaltar a outra pessoa... A aluna queria explicar que estava a ser assaltada, mas não conseguiu e a outra pessoa acabou por fugir», afirma a professora.




A LGP e o ensino





«Dar aulas a um aluno surdo e a um aluno ouvinte é completamente diferente, a língua é diferente e, por isso, implicam estratégias diferentes»

 

«Na escola de surdos não havia trabalho, os professores não trabalhavam e a língua gestual não era uma coisa como é agora. Foi aí que percebi que queria ser professora de surdos», revela.



«Quando a LGP começou a ser ensinada primeiro, os alunos começaram a perceber melhor a língua portuguesa e as outras coisas», explica.

Foi precisamente no ano em que Marta começou o seu percurso no CED, em 1997, que a LGP, com um vocabulário e gramática próprios, passou a ser uma das línguas oficiais de Portugal, tendo ficado consagrado na Constituição da República Portuguesa o compromisso do Estado em «proteger e valorizar a Língua Gestual Portuguesa enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades».