A Liga dos Bombeiros Portugueses decidiu, já durante a madrugada, suspender até 29 de dezembro o protesto que passava por não encaminhar a informação operacional aos comandos distritais de operações de socorro (CDOS). O anúncio foi feito pelo presidente da LBP, no final da reunião do Conselho Nacional, em Pombal, no distrito de Leiria, que durou várias horas.

Esta foi já uma grande vitória, a de garantir o respeito pelos milhares de bombeiros portugueses que estão no terreno e estamos convencidos de que o ministro [da Administração Interna] irá refletir e será possível chegar a um entendimento"

Marta Soares adiantou que "até 29 de dezembro ficou definido um compromisso com o ministro de que nos seriam enviadas propostas devidamente preparadas", cita a Lusa.

Parece-nos que existe abertura por parte do Ministério para assimilar as nossas propostas, mas se isso não acontecer teremos que ir para outro tipo de atividades porque não abdicamos de defender os bombeiros".

Não especificou, porém, quais as ações equacionadas.

Também ontem, à saída da reunião no Ministério da Administração Interna, e ainda antes do Conselho Nacional da Liga dos Bombeiros, Marta Soares já tinha admitido que as propostas discutidas podiam resultar em novas discussões com o Ministério. Embora tenha dito que a reunião de mais de três horas com o Governo “foi inconclusiva”, também fez notar que “houve pontos de convergência”. Suficientes, pelos vistos, para a suspensão do protesto que decorria desde o dia 9 de dezembro.

A proposta do Governo que gerou contestação

Foi a 25 de outubro que o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, a proposta de alteração à Lei Orgânica da ANPC, que vai passar a designar-se Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Com esta proposta, o Governo acaba com os atuais 18 comandos distritais de operações e socorro e cria cinco comandos regionais e 23 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil.

O Executivo pretende que o novo modelo da Proteção Civil passe a ter uma base metropolitana ou intermunicipal. Prevê também a criação de um Comando Nacional de Bombeiros com autonomia financeira e orçamento próprio, cujo responsável máximo será designado depois de ouvida a LBP.

A LBP classifica a proposta como “completamente desajustada da realidade do país” e considera que vai interferir na autonomia das associações de bombeiros. Reivindica uma direção nacional de bombeiros “autónoma independente e com orçamento próprio”, um comando autónomo de bombeiros e o cartão social do bombeiro.

Bombeiros profissionais em greve até dia 2 por outros motivos

Os bombeiros profissionais iniciaram ontem à noite uma greve, por outros motivos, com duração prevista até 2 de janeiro. Em causa, nessa paralisação, está a valorização da carreira e o estatuto de reforma dos bombeiros profissionais.

Em comunicado, emitido esta manhã perto do meio-dia, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) adianto que "os primeiros dados apurados indicam que nos corpos de bombeiros de Setúbal, Coimbra, Figueira da Foz, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Santarém, Porto e Madeira apenas funcionam os serviços mínimos".

Em algumas corporações, a adesão está a ser de 100%.