A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) atualizaram esta sexta-feira as "linhas vermelhas" traçadas para avaliar a evolução de covid-19 em Portugal.

Numa altura de claro crescimento da pandemia, com o índice de transmissibilidade (Rt) e a incidência bem acima do limite, referem os especialistas que Portugal tem agora um R(t) de 1,16, quando o máximo estabelecido era de um. Esta tendência é mais acentuada nas regiões Centro e Algarve, que apresentam valores de 1,24 e 1,28, respetivamente.

Com a incidência a subir, o país tem agora notificados 200 casos por 100 mil habitantes a 14 dias, um valor que deve atingir os 240 nos próximos seis dias, duplicando assim o valor de 120, que tinha sido o limite estabelecido.

Os casos mais graves são Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, com 344 e 422 casos por 100 mil habitantes, respetivamente. Ainda sobre a incidência, destaca-se o valor de 427 casos por 100 mil habitantes na faixa etária dos 20 aos 29 anos, sendo de 291 dos 10 aos 19 anos e dos 30 aos 39 anos, o que confirma uma maior prevalência do vírus entre os mais jovens.

Estes dados acompanham uma tendência que acabou por fazer com que o Governo decretasse novas medidas de restrição esta quinta-feira, entre as quais o recolher obrigatório para 45 concelhos, incluindo Lisboa e Porto.

O objetivo das autoridades é travar o escalar das hospitalizações, que têm aumentado de forma constante nas últimas semanas, ainda que mantendo um baixo nível.

Assim, referem DGS e INSA que Portugal tem 46% das 245 camas de cuidados intensivos definidas como limite ocupadas em Portugal, um valor que na semana passada era de 43% e que não deixa dúvidas: mesmo com a vacinação, um aumento dos casos vai levar a mais internamentos.

Neste ponto, a região de Lisboa e Vale do Tejo é a que apresenta a situação mais grave, com 62% do total de hospitalizações em unidades de cuidados intensivos.

Ainda sobre os internamentos, refere o relatório das linhas vermelhas que 60 das pessoas hospitalizadas em estado grave têm entre 40 e 59 anos, sendo mais de metade do total de internados.

Aqui, de referir ainda que são mais de 20 as pessoas com menos de 40 anos que estão internadas em unidades de cuidados intensivos.

António Guimarães