A situação de covid-19 começa a agravar-se em várias regiões do país, com Lisboa e Vale do Tejo e Algarve a serem as mais afetadas. Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos fala numa situação diferente daquela que foi sentida no passado.

Na prática, e à medida que aumenta o número de casos, aumentam também os internamentos, ainda que essa proporção não seja tão grave como foi nas outras vagas.

Existe um efeito da vacinação que não existiu em janeiro. Está a aumentar o número de internamentos, mas não na proporção de janeiro ou fevereiro", garante, lembrando que a maioria da população agora internada tem menos de 60 anos, até porque os mais idosos têm já grande cobertura vacinal.

Ainda assim, Alexandre Valentim Lourenço reconhece que mesmo os mais novos podem desenvolver formas mais graves da doença, mas uma vez que têm menos comorbilidades associadas, é mais fácil de lidar com os casos.

Estamos bem preparados técnica e cientificamente. Lisboa e Vale do Tejo e Algarve são preocupantes pelo número de casos, mas ainda não chegámos ao limite, e não queremos chegar", referiu, destacando que os hospitais de Lisboa são aqueles que apresentam um maior nível de stress.

Neste ponto, e admitindo já uma transferência de doentes entre hospitais, o especialista diz que pode alargar-se a todo o sistema a dificuldade de internamento.

Grande parte destes novos casos estão relacionados com a introdução da variante Delta em Portugal, que é já prevalente em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve.

Sabemos que as vacinas são eficazes para todas as variantes e que as pessoas vacinadas apresentam uma doença muito menos grave", afirmou, pedindo assim uma intensificação da vacinação, que é "a nossa arma".

Lisboa e Vale do Tejo são atualmente as duas regiões com maior incidência de covid-19, sendo também as duas regiões com menor percentagem de pessoas totalmente vacinadas.

António Guimarães