Uma mulher grávida de 37 anos morreu após um veículo ter colidido com a parte de trás da bicicleta onde viajava, denuncia este domingo a plataforma Lisboa Para Pessoas, referindo que a vítima era investigadora no Instituto Superior Técnico.

O acidente terá ocorrido na Avenida da Índia, entre Algés e Belém, depois de o condutor, um homem com cerca de 80 anos, não ter visto a bicicleta a circular na via por ter sido encadeado pelo sol. 

A TVI contactou fonte da PSP que remeteu esclarecimentos para outra hora. 

A vítima, dizem amigos e conhecidos nas redes sociais, tinha começado a utilizar a bicicleta mais frequentemente desde o início da pandemia. O acidente deu-se exatamente no sítio onde a Câmara Municipal de Lisboa planeia executar uma ciclovia bidirecional segregada, com cerca de quatro quilómetros de extensão.

No entanto, o site da autarquia não concede um prazo para a obra entrar em curso. O incidente ocorre um ano depois de uma basquetebolista do Sporting, de 16 anos, ter sido atropelada mortalmente enquanto atravessava uma passadeira no Campo Grande.

A morte da jovem atleta chegou a gerar uma onda de revolta entre os moradores da freguesia de Alvalade, que se dizem preocupados com a sinistralidade no local. Cerca de 500 ciclistas e não ciclistas pediram maior segurança e bloquearam o trânsito no Campo Grande.

A associação de moradores Vizinhos de Lisboa, através do núcleo de Belém, reconhece que o acidente mostra a “importância de intervir na nossa Frente Ribeirinha em toda a sua extensão”.

 

 

 

Nas redes sociais, a associação sublinha que tem estado a trabalhar num projeto de equilíbrio entre todos os modos de transporte. Uma petição pública para a implementação da Ciclovia da Avenida da Índia, levada a cabo pelos Vizinhos, conta já com mais de 700 assinaturas.

A vítima é descrita como uma pessoa cautelosa pela ativista e investigadora Rosa Félix. Numa publicação em homenagem, sublinha que “todo o cuidado é pouco, e o mais frágil acaba por ser o que paga”.

 

 

Juntar pessoas a diferentes velocidades no mesmo canal acaba por correr mal. Não é suposto andar-se com medo em cima de uma bicicleta”, diz Félix, destacando que ainda há muito por fazer na promoção de mais segurança na via pública.

 

O acidente revoltou o Américo Silva, antigo ciclista profissional que, à plataforma Lisboa Para Pessoas, explica que ficou chocado com "a violência do embate e o carro parado cerca de 25 metros depois do corpo da vítima".

“Vou criar um comissão independente, que leve este assunto à Assembleia da República”, anunciou o vencedor da Volta a Portugal em 1968.

 

De acordo com os dados mais recentes da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, em 2019, morreram 26 ciclistas, sendo que foram registados 106 feridos graves.