Vários moradores da Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, viram esta semana os seus carros multados e bloqueados pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), depois do número do dístico de estacionamento ter sido alterado pela empresa, mas sem aviso prévio aos proprietários das viaturas.

De acordo com um morador da Avenida 5 de Outubro, Abel Matos Santos, que falou com o tvi24.pt, a EMEL mudou em Julho o número do título de estacionamento relativo à área, de 15 para 29, mas «não avisou ninguém». Matos Santos garante que a empresa «não se entende entre si» porque a mesma zona de estacionamento tem vários números. «Para os serviços da EMEL a zona é o 15, para os técnicos é o 29», disse.

Matos Santos afirma que foi multado em Julho, e que na altura se dirigiu à empresa onde escreveu uma reclamação. Esta foi aceite pela EMEL, que informou o morador que tinha ocorrido «uma falha de serviços».

«Ficámos descansados, mas na quarta-feira multaram-me novamente o carro», afirmou Matos Santos que explicou ainda que depois de ter recebido a segunda multa contactou novamente a Empresa. Ao tvi24.pt, o morador da 5 de Outubro disse que informou o Presidente da Junta de Freguesia de Campo Grande e revelou que o autarca até enviou um fax para a empresa.

De acordo com a mesma fonte, ainda na quarta-feira, a empresa afirmou que o problema estava resolvido. Só que no dia seguinte, quinta-feira, vários carros de moradores foram novamente multados e, pela primeira vez, bloqueados. Abel Matos Santos diz que ao verem os seus carros bloqueados, os habitantes chamaram a polícia. «É um abuso, não faz sentido», desabafou. O morador adiantou que tentou várias vezes durante a tarde de quinta-feira contactar a EMEL, mas sem sucesso, o mesmo acontecendo com as tentativas do tvi24.pt.

Administração recebe moradores

Só ao final da tarde desse dia é que o supervisor da empresa, que estava no local com os moradores, contactou a administração. Esta garantiu, por telefone, ao supervisor, que ia receber os moradores da Avenida 5 de Outubro na sexta-feira, mas pediu aos proprietários dos veículos para pagarem as multas.

Os moradores acabaram por pagar a multa de bloqueamento, mas, como não pagaram a multa de estacionamento, ficaram com a carta de condução e os documentos das viaturas apreendidos, revelou Matos Santos.

Ainda na quinta-feira, o tvi24.pt falou com o oficial de dia da PSP de Lisboa que disse que «não comentava assuntos relacionados com parquímetros». Esta sexta-feira, o tvi24.pt tentou novamente contactar a EMEL que afirmou que «não fazia declarações sobre este assunto».



De acordo com Matos Santos, os habitantes prepararam agora um abaixo-assinado para pedirem que a zona de estacionamento volte a ter o número 15 e exigem a devolução do dinheiro das multas. Vão também entregar uma impugnação das autuações na Autoridade de Segurança Rodoviária. Até ao momento, ainda não foram recebidos pela administração.
Redação / Ricardina Batista