Cerca de 300 pessoas desfilaram esta sexta-feira à tarde na baixa de Lisboa, contra a violência sobre as mulheres, com faixas e palavras de ordem, marcha na qual o Governo marcou presença com quatro ministros e dois secretários de Estado.

A marcha foi organizada por 16 organizações da sociedade civil e percorreu a rua Augusta em passo lento, com palavras de ordem como “A violência contra a mulher não é um mundo que a gente quer” ou “Quebra o silêncio, unidas contra a violência”.

Foram representantes dessas organizações que seguraram uma faixa da marcha onde se lia “Pelo fim da violência contra as mulheres, quebra o silêncio”. E atrás, também com uma faixa, seguiam o ministro Adjunto e as ministras da Justiça, da Administração Interna e do Mar. Lembrava o Governo, no pano negro com letras vermelhas e brancas, que hoje é o dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres.

E lembrou no final o ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, que, aos jornalistas, disse que a luta pela igualdade e o combate contra a violência sobre as mulheres é uma prioridade do Governo.

“Por isso temos desenvolvido um conjunto de ações de promoção de combate e denúncia da violência contra mulheres, temos alargado as respostas, temos analisado a dimensão social do fenómeno, temos contribuído para que o tema seja central na atenção de todos”, disse o ministro, que na quinta-feira já tinha admitido uma mudança na lei para proteger mais as mulheres vítimas.

Explicou Eduardo Cabrita que ainda que a marcha fosse uma iniciativa de organizações da sociedade civil, estiveram presentes (os membros do Governo) como “cidadãos empenhados” que estão agora a exercer funções públicas, mas que também estão a dar continuidade a um combate “que para muitos já vem de trás”.

Ana Cansado, da organização da marcha (da União de Mulheres Alternativa e Resposta - UMAR), não comentou tão forte presença do Governo mas considerou bem vinda uma alteração da lei que repense por exemplo as medidas penais.

“É bom que o Governo tome a iniciativa, mas que contacte também as associações, para que possamos fazer as nossas sugestões”, afirmou à Lusa, preconizando “medidas efetivas de proteção das vítimas, que podem passar por alguma penalização ao agressor mais efetiva”, e por defender melhor as mulheres quando lutam pela guarda dos filhos quando ainda não há uma condenação efetiva do agressor.

Ana Cansado defendeu ainda a necessidade de medidas de financiamento das organizações não-governamentais e de campanhas de prevenção continuadas no tempo, para que haja “um trabalho continuado e para que as novas gerações percebam que é preciso haver igualdade do género para poder acabar com a violência”.

A violência doméstica, frisou, é “um assunto grave” e só este ano já matou 22 mulheres. “É por elas e por todas nós que estamos na rua hoje”, disse.

Por elas estiveram mais algumas centenas de pessoas, homens e mulheres, e representantes de partidos políticos também, como a deputada socialista Isabel Moreira, que fez questão de frisar que o tema “é absolutamente central na política do Governo” e que se disse feliz por, em cada ano, a marcha ter mais gente, este ano por exemplo “com mais homens do que no ano passado”.

Ou como o Bloco de Esquerda, ele também com vários deputados, incluindo Pedro Filipe Soares, líder parlamentar, que disse à Lusa que se trata de uma causa que o partido sempre abraçou e que, se muito se fez, muito há ainda por fazer, quando se olha para “os números horrendos”.

Por isso, disse, o Bloco esteve na marcha, por solidariedade e para chamar a atenção para o flagelo. E está a trabalhar no sentido de melhorar a lei, garantiu à Lusa.

Na baixa da cidade, esta tarde, pelo menos, chamou-se a atenção, com cartazes, com música, com mulheres 'motard' até, com as suas motas e rosas a decorá-las. Como Ana, pelas que morreram e por elas próprias.

Redação