O livro “Última Paragem: Auschwitz”, editado pela pela Planeta, é um relato do médico Eddy de Wind (1926-1987), do seu cativeiro em Auschwitz, escrito antes de abandonar o campo e publicado, originalmente, em 1946.

“Pelo que se sabe é o único livro escrito, integralmente, no campo de concentração nazi”, afirma a editora portuguesa em comunicado.

Eddy de Wind foi um psiquiatra e psicanalista holandês, de origem judaica, que sobreviveu ao campo nazi de Auschwitz, quando os militares alemães o abandonaram. Na altura, Wind escondeu-se e alistou-se no Exército Vermelho. Após o regresso à Holanda, em 1945, especializou-se no tratamento de traumas de guerra.

Em 1949 o médico publicou um artigo científico sobre a síndrome do campo de concentração ou “síndrome do sobrevivente”, intitulado “Confronto com a Morte”.

Em plena II Grande Guerra, em maio de 1940, as tropas nazis derrotaram os aliados e invadiramm a Holanda. Em 1942, o médico judeu Eddy de Wind apresentou-se como voluntário para trabalhar em Westerbork, um campo de trânsito de judeus, no leste do seu país, onde conheceu a jovem enfermeira Friedel, com quem se casou tendo sido, separadamente, deportados, em 1943, para Auschwitz.

Em Auschwitz, Eddy foi para o “Block 9”, e Friedel para o 10, onde os nazis realizavam experiências médicas em seres humanos.

Quando as tropas russas se aproximavam do campo, no outono de 1944, os nazis decidiram apagar os seus vestígios e ordenaram aos prisioneiros para recuarem até ao interior da Alemanha, no que ficou conhecido como “marcha da morte”.

Eddy, por seu turno, escondeu-se e ficou em Auschwitz, onde encontrou um lápis e um caderno e começou a escrever a sua experiência tendo deixado um relato dos horrores, analisando o comportamento das pessoas e do que são capazes de fazer em situações limite.

Em “Última Paragem: Auschwitz. Como Sobrevivi ao Horror (1943-1945)”, o médico descreve o campo de concentração, a partir da sua vida interior e “com a profunda impressão desse momento”, assinala a Planeta.

A obra foi traduzida para português por Maria Leonor Raven.

Em janeiro próximo, a editora conta publicar “uma edição aumentada” de “A Bibliotecária de Auschwitz”, de Antonio Iturbe, que o escreveu com base no testemunho verídico de Dita Polachova, jovem bibliotecária checa detida no Bloco 31 do campo nazi.

O livro revela a história verídica de como uma jovem de 14 anos arriscou a vida para manter vivo o interesse pela leitura, ao esconder dos guardas nazis, durante anos, a sua pequena biblioteca, de oito volumes, no campo de Auschwitz.

No posfácio desta edição, intitulado “Sete milagrosos anos (2012-2019)”, Antonio Iturbe dá conta das suas conversas com Dita Kraus, nome de casada da jovem bibliotecária, que já completou 90 anos, no qual apresenta a imagem de uma mulher “excecional com uma vontade intrépida, um exemplo de perseverança e perdão”.

A obra foi traduzida para português por Mário Dias Correia.

Segundo o autor espanhol, “desde a saída de ‘A Bibliotecária de Auschwitz’, no outono de 2012, continuaram a acontecer coisas importantes, algumas extraordinárias” a propósito da obra.

/ AM