Os moradores de Sobrado, em Valongo, voltaram esta manhã a protestar contra o aterro local. A manifestação desta manhã foi liderada plo próprio presidente da Câmara de Valongo, que acusa o Ministério do Ambiente de não defender a população local.

O Ministério do Ambiente, por sua vez, acusou o presidente da Câmara de Valongo de “estar com falta de memória” quando disse estar iminente uma descarga de lixiviado em Sobrado, argumentando que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) não a autorizou.

Em resposta às acusações feitas esta segunda-feira em Sobrado, onde José Manuel Ribeiro denunciou que “a empresa Recivalongo [dona do aterro em Sobrado] aguarda autorização do Estado para uma descarga de lixiviado numa ribeira de caudal intermitente”, classificando-a como um “atentado ambiental”, o ministério defendeu-se invocando uma reunião a 7 de fevereiro.

O senhor presidente da Câmara Municipal de Valongo deverá estar com falta de memória. No dia 7 de fevereiro, o senhor presidente participou numa reunião em que, entre outros, estiveram representantes da APA, CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] e do Ministério do Ambiente e da Ação Climática”, lê-se na resposta enviada à Lusa.

E prossegue: “O senhor presidente da Câmara Municipal de Valongo esqueceu-se que este tema foi discutido. Também não deve ter ouvido o representante da APA afirmar que não autorizava o pedido feito pela empresa da Recivalongo de deitar à ribeira do Vilar qualquer tipo de lixiviado”.

Acrescenta a resposta do ministério de João Pedro Matos Fernandes que, “neste momento, a APA está a estudar medidas alternativas”, razão pela qual argumenta “que não se entende a posição” hoje assumida pelo autarca de Valongo.

Em Sobrado esta manhã, José Manuel Ribeiro alertou que “a descarga para o meio hídrico, neste caso, para a ribeira do Vilar requerida pela Recivalongo à Associação Portuguesa do Ambiente, reveste-se de um elevado risco que não pode ser, de forma alguma, descurado”.

Dando conta que a Recivalongo “foi multada recentemente em 44 mil euros por reincidir nas descargas ilegais para a ribeira de Vilar”, tendo sido contabilizada “carga contaminante superior a 300% ao valor permitido”, José Manuel Ribeiro levou a comunicação social junto ao curso de água, para assinalar o perigo.

Explicando tratar-se de um “curso de água intermitente”, que depende da “pluviosidade” e que, devido a isso, “por estes dias tem um volume de água muito baixo”, o autarca socialista denunciou que, “a haver nova descarga, esta tornará impossível às pessoas viver em Sobrado, além de que poderá haver contaminação ao nível freático”.

Segundo José Manuel Ribeiro, o aterro “produz cerca de 100 metros cúbicos por dia de lixiviado, um volume incomportável para a linha de água em questão”, pois a “massa de água presente não é suficiente para gerir as necessidades do ecossistema, muito menos para receber esse lixiviado”.

Apontando críticas à Comissão de Acompanhamento e ao Ministério do Ambiente, José Manuel Ribeiro, diz-se “farto de ouvir falar grosso aos fracos e fino aos fortes” e exige decisões da tutela.

A presidente da Associação Jornada Principal, Marisol Marques, admitiu estarem “numa luta muito desgastante, pois o povo de Sobrado quer resultados”, acrescentando que do ministro Matos Fernandes “só têm ouvido palavras vagas”.

Queremos o encerramento do aterro! Vivemos dentro de um caixote do lixo”, enfatizou a responsável da associação ambientalista.

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