O juiz Carlos Alexandre determinou esta terça-feira que os bens apresentados pelo ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, não são suficientes para o pagamento da caução de três milhões de euros a que o empresário ficou sujeito no processo Operação Cartão Vermelho. Segundo o jornal Público, o magistrado exige um reforço dos bens apresentados para que o suspeito possa abandonar a condição de prisão domiciliária.

No entanto, sabe a TVI, a defesa de Luís Filipe Vieira ainda não foi notificada de tal situação.

O antigo presidente do clube da Luz apresentou como proposta de pagamento da caução ações do Benfica, que o Ministério Público considera não terem o valor atual de mercado, uma vez que esse mesmo valor está inflacionado pela intenção de compra por parte do empresário norte-americano John Textor, que quer 25% da SAD benfiquista.

Assim, a possível rápida desvalorização das ações leva o tribunal a decidir pelo pedido de mais garantias.

Foi ainda apresentado na proposta de caução um imóvel que estará avaliado em cerca de um milhão de euros.

O antigo presidente do Benfica é o principal visado da Operação Cartão Vermelho.

No mesmo processo foram ainda detidos José António dos Santos, Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira e o empresário Bruno Macedo, responsável pelo regresso de Jorge Jesus à Luz e pelas contratações de Everton ou Lucas Veríssimo.

O alegado esquema serviria para benefício de Vieira e do empresário José António dos Santos, em prejuízo do Benfica: na compra de ações da SAD encarnada, por parte do clube, que dariam uma mais valia de 11 milhões de euros ao empresário e amigo de Vieira, maior acionista privado, com 16,33 por cento do capital.

O negócio, no ano passado, acabou por ser travado pela CMVM, ao concluir que a OPA do clube sobre a SAD ia ser feita com fundos da própria SAD, numa operação no valor de 32 milhões de euros.

Antes disso, José António dos Santos, 79 anos, recomprara por oito milhões de euros a dívida que fora da Imosteps, de Vieira, ao Novo Banco, salvando assim o presidente do Benfica da insolvência, numa altura em que este se recandidatava à liderança do clube e da SAD - e precisava, para o efeito, de ter a sua idoneidade a salvo.

Acredita o Ministério Público que, em contrapartida, Vieira arranjou forma de, usando a sua posição de presidente do clube, conseguir que o amigo tivesse largos benefícios na venda de ações ao próprio Benfica, que tinha 67% da SAD do clube, querendo chegar aos 95%.

O “rei dos frangos” faria uma mais-valia de 11 milhões de euros, face ao investimento que fizera, mas o regulador da bolsa travou a operação por considerar a mesma irregular.

Em causa, suspeitas de crimes de burla qualificada ao Fundo de Resolução bancária e ainda crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Redação