A Polícia Judiciária (PJ), Metropolitan Police de Londres e polícia alemã (BKA), que se têm articulado em segredo nos últimos anos, chegaram a um  suspeito formal do rapto e morte de Madeleine McCann, criança inglesa desaparecida em Maio de 2007 na praia da Luz, Lagos, quando tinha apenas três anos.

Ao longo dos últimos 13 anos, é a primeira vez que a polícia assume suspeitas formais sobre um suspeito.

Trata-se de um alemão de 43 anos, sabe a TVI, predador sexual que está atualmente preso no seu país. Cumpre pena por outro caso, de violação de uma mulher, mas estava na praia da Luz quando Maddie desapareceu. Este homem terá vivido no Algarve entre 1996 e 2007, num apartamento a cerca de quatro quilómetros da praia.

O suspeito em questão, de 43 anos de idade, com antecedentes criminais, residiu em Portugal entre 1996 e 2007 e está atualmente a cumprir pena de prisão na Alemanha", lê-se no comunicado da Polícia Judiciária. 

Há provas recolhidas nos últimos meses que o colocam como presumível autor dos crimes de rapto e homicídio de Maddie, criança que passava férias no Algarve com os pais e amigos. Quanto ao móbil do crime, tudo aponta para motivações de natureza sexual.

Em estreita articulação com as Autoridades Alemãs (BKA) e Inglesas (Metropolitan Police), na partilha de informação, na realização de atos formais de investigação e de perícias, em Portugal e no estrangeiro, foram recolhidos elementos que indiciam a eventual intervenção, no desaparecimento da criança, de um cidadão alemão", acrescenta o documento.

A Metropolitan Police, que está a investigar o desaparecimento numa investigação designada por Operação Grange, identificou uma carrinha caravana branca de marca Volkswagen que o suspeito, que não foi identificado, usou para viver e também um automóvel Jaguar ao qual teria acesso. 

A polícia identificou também dois números de telemóvel, um usado pelo suspeito e que terá recebido uma chamada entre as 19:32 e 20:02 de 3 de maio na zona da Praia da Luz, e outro que iniciou o telefonema e que poderá ser uma “testemunha altamente significativa”

Ao que a TVI apurou, o casal McCann já foi informado pela polícia inglesa das suspeitas formais que recaem sobre este cidadão alemão.

Investigação prossegue no DIAP de Faro com inquirição de testemunhas

O Ministério Público revelou esta quarta-feira que o inquérito sobre o desaparecimento de Madeleine McCann se encontra em investigação com diligências em curso, designadamente inquirição de testemunhas.

A secção de Portimão do Departamento de Investigação e Ação Penal de Faro informou que a investigação em curso “tem-se desenvolvido com a cooperação das autoridades inglesas e alemãs”.

No âmbito do inquérito estão a ser “realizadas todas as diligências que se revelem pertinentes” e adequadas para apurar as circunstâncias que rodearam o desaparecimento da criança.

O sub-comissário adjunto da Metropolitan Police, Stuart Cundy, disse esta quarta-feira que o suspeito passou a interessar aos investigadores na sequência de um apelo público em 2017, no âmbito do 10.º aniversário do desaparecimento de Maddie.

O nome deste homem era conhecido da nossa investigação. Não vou dar detalhes sobre como era conhecido, mas já era conhecido antes de recebermos informação nova em 2017. Desde então temos continuado a trabalhar de forma muito próxima com colegas em Portugal e na Alemanha”, afirmou.

Entretanto, a Polícia Criminal alemã, também confirmou em comunicado, estar a investigar um cidadão acusado de vários crimes de abuso sexual de menores, pelo desaparecimento de Madeleine McCann.

Madeleine McCann desapareceu poucos dias antes de fazer 4 anos, a 03 de maio de 2007, do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico, na Praia da Luz, no Algarve.

A polícia britânica começou por formar uma equipa em 2011 para rever toda a informação disponível, abrindo um inquérito formal no ano seguinte, tendo até agora despendido perto de 12 milhões de libras (14 milhões de euros).

A PJ reabriu a investigação em 2013, depois de o caso ter sido arquivado pela Procuradoria-Geral da República em 2008, ilibando os três arguidos, os pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann, e um outro britânico, Robert Murat.

Henrique Machado / com Lusa - atualizada às 22:29