Uma derrocada atingiu a cozinha de um restaurante na Calheta, Madeira, neste sábado, confirmou a TVI, causando a morte a uma mulher, cozinheira naquele estabelecimento.

A derrocada aconteceu cerca das 13:15 e atingiu a área da cozinha, onde se encontrava a funcionária, de 23 anos.

A mulher não resistiu aos ferimentos, mas o corpo só foi retirado cerca das 23 horas, ou seja, dez horas depois, devido à dificuldade em remover as pedras de grande dimensão.

Efetivamente há uma vítima mortal a lamentar neste incidente", afirmou o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil, José Dias, realçando que "a maior preocupação [da operação] foi garantir a segurança dos operacionais".

O restaurante situa-se junta à marginal da Calheta, numa extremidade da escarpa onde decorrem obras de consolidação por um período de três meses, até ao final de março.

Os trabalhos motivaram o encerramento temporário dos restaurantes da Marina da Calheta, que fica no sopé da escarpa que se estende ao longo da avenida marginal da vila da Calheta, mas o que foi atingido continuou a funcionar normalmente.

Antes da entrada em ação das máquinas para remover as pedras, a zona foi intervencionada pelo Governo Regional da Madeira, que fizeram cair mais algumas pedras para assim garantir a segurança das equipas de resgate que estão neste momento a trabalhar.

As operações de resgate da jovem, que residia na freguesia da Ponta do Pargo, no concelho da Calheta, envolveram 53 operacionais dos Bombeiros Voluntários locais, dos Bombeiros Sapadores do Funchal e da PSP.

A família da vítima está a receber apoio psicológico facultado pela autarquia.

Proprietário e Governo em desacordo

O proprietário do único restaurante a funcionar junto à escarpa, Manuel Jardim Barbosa, disse aos jornalistas que não compreende porque o projeto de consolidação da escarpa não incluiu também aquela área, afirmando que avisou as autoridades, mas que estas "não fizeram nada".

O secretário regional do Equipamento e Infraestruturas, Amílcar Gonçalves, disse, no entanto, que "a versão do proprietário não corresponde minimamente à verdade".

Em declarações à comunicação social no local, o governante indicou que em 2012, quando foi feita a primeira intervenção, o proprietário "opôs-se veementemente" a qualquer intervenção na zona, colocando obstáculos a todos os procedimentos de expropriação e de aquisição da propriedade

Amílcar Gonçalves realçou que isso "inviabilizou por completo a intervenção na escarpa" naquela área.

Família realojada

Um agregado familiar, constituído por cinco adultos e um menor, foi hoje provisoriamente realojado pelo Governo Regional da Madeira, na sequência da derrocada.

A família que residia na casa contígua ao restaurante foi realojada na Pousada da Juventude da Calheta, depois de acionada a Linha de Emergência Social.

"Neste momento, não há condições de segurança de habitabilidade", indicou o presidente do Serviço de Proteção Civil.