O ministro da Administração Interna rejeitou, esta terça-feira, que a manifestação das forças de segurança, agendada para quinta-feira em Lisboa, seja contra o programa do Governo, destacando a disponibilidade de parceria manifestada pelos sindicatos da PSP e associações da GNR.

“O direito de manifestação não tem nada a ver com o programa do Governo, o direito de manifestação é um direito democrático”, afirmou Eduardo Cabrita, em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia comemorativa do 152.º aniversário do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.

Num quadro de um novo ciclo governativo, o ministro da Administração Interna apontou como prioritário o relacionamento com os sindicatos da PSP e as associações representativas dos militares da GNR, lembrando a aprovação, por unanimidade, no final da legislatura anterior, da nova lei sindical da PSP, que vem dar “um novo tempo ao diálogo social”.

O programa do Governo tem nessa matéria uma agenda muito clara relativamente à qual tenho de saudar quer os sindicatos da PSP quer a Associação dos Profissionais da Guarda pela sua disponibilidade, plenamente manifestada para serem parceiros nessa agenda”, declarou o governante.

No âmbito da agenda política, Eduardo Cabrita indicou a preparação da nova lei de programação de investimentos e de um programa plurianual de admissões, “garantindo o rejuvenescimento das forças de segurança que vai existir, pela primeira vez, e que consolida o aumento das admissões que foi feito nos dois últimos anos”.

Além disso, o ministro lembrou a existência de promoções em dois anos consecutivos, o que não havia há mais de uma década, e o desbloqueamento das carreiras, acrescentando que “há um conjunto de questões novas”, nomeadamente em termos de segurança e saúde no trabalho.

Na segunda-feira, a associação APG/GNR decidiu manter a manifestação conjunta com a PSP na quinta-feira, apesar de uma reunião com o ministro da Administração Interna na qual houve abertura para resolver problemas que vêm da anterior legislatura.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da APG/GNR, César Nogueira, disse que a associação foi para a reunião “sem grandes expectativas”, mas que o ministro Eduardo Cabrita, como já tinha acontecido na semana passada com sindicatos da PSP, apresentou uma agenda para negociar pontos que são fundamentais nas reivindicações.

Com o lema “tolerância zero”, a manifestação conjunta é organizada pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia e pela Associação dos Profissionais da Guarda e tem início no Marquês de Pombal rumando à Assembleia da República, com concentração marcada para as 16:00.