O mês de maio em Portugal continental foi “extremamente quente”, com uma onda de calor, informou o Instituto do Mar e da Atmosfera, referindo que a seca meteorológica se mantém em quase todo o território.

De acordo com o Boletim Climatológico disponibilizado na página do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) na internet, o mês de maio foi “extremamente quente em relação à temperatura e normal em relação à precipitação”.

O documento indica também que no final de maio, em relação ao mês de abril, mantém-se a situação de seca meteorológica em quase todo o território de Portugal continental.

Segundo o documento verificou-se em relação a 30 de abril um desagravamento na região Noroeste do território e um agravamento na região Sul, com o aumento da área em seca moderada.

“No final deste mês [maio] cerca de 70% do território estava na classe de seca moderada”, é referido no boletim.

No final do mês de abril, segundo o Instituto, 96% do território estava em seca fraca a moderada e apenas a região do Algarve não se encontrava em situação de seca.

De acordo com o Boletim, em maio 71,4 do território estava em seca moderada, 23,1 em seca fraca, 7,5 em seca normal e 3,4 em seca severa.

O IPMA classifica em nove classes o índice meteorológico de seca, que varia entre “chuva extrema” e “seca extrema”.

O Boletim Climatológico do IPMA divulgado classificou o mês de maio em Portugal continental como “extremamente quente em relação à temperatura do ar, sendo "o 3.º mais quente desde 1931".

Segundo o IPMA, o valor médio da temperatura máxima do ar foi de 24,96 graus celsius, o 2.º mais alto desde 1931.

“O valor médio da temperatura mínima (11,99 graus Celsius) esteve acima do normal, sendo o 10.º valor mais alto desde 1931”, é referido no documento.

O Instituto adianta que ao longo do mês, a temperatura apresentou grande variação, sendo de realçar os valores muito altos da temperatura máxima do ar, muito superiores aos valores normais para maio, nomeadamente a partir do dia 20.

“Os dias 23 e 25 foram os mais quentes, com valores de temperatura média superiores a 23 graus Celsius. Nestes dias os valores médios da temperatura máxima foram superiores a 30 graus”, é referido.

De acordo com o Boletim, os maiores valores da temperatura máxima do ar igual ou superior a 35 graus celsius, ocorreram nos dias 24 e 25.

O IPMA salienta também que no período de 20 a 27 de maio ocorreu uma onda de calor nas regiões do interior Norte e Centro e Alentejo.

Em relação à precipitação, o mês de maio foi classificado pelo Instituto como normal, com um valor médio em Portugal continental de 66,1 milímetros, o que corresponde a 93% do valor médio.

Cristas exige medidas de apoio devido à seca

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, exigiu que o ministro da Agricultura esclareça que medidas tem preparadas para apoiar os agricultores pela situação de seca, sublinhando que os centristas pedem a sua presença no parlamento.

É muito importante que o Ministério ponha cá fora um pacote de medidas que já vêm atrasadas, que estavam pré-preparadas, porque já há muito tempo que existe um grupo de trabalho em permanência para monitorizar as situações de seca", afirmou Assunção Cristas.

Numa visita a uma feira do setor alimentar, em Lisboa, a líder centrista disse não entender "a ausência do ministro da Agricultura", argumentando que as queixas se sucedem por parte do setor e têm impacto, por exemplo, nas sementeiras que poderão não se fazer por escassez de água.

Há medidas estudadas do passado", insistiu a ex-ministra da Agricultura, apontando para a isenção da taxa de recursos hídricos, isenções de contribuições à segurança social, apoios ao investimento, entre outras.

A presidente do CDS-PP, que foi ministra da Agricultura no anterior Governo, afirmou que "em 2011, na sequência da seca grande desse inverno e primavera, foram aplicados só do Orçamento do Estado 45 milhões de euros de medidas de apoios aos agricultores".

Foram também "usadas todas as verbas e apoios europeus, nomeadamente antecipações de pagamentos, para ajudar à tesouraria das empresas que estavam muito aflitas pela escassez de água", sublinhou.

A líder do CDS lamentou que "há um mês que o CDS no parlamento pediu a vinda urgente do ministro para explicar o que é que está a fazer em matéria de seca e neste momento o ministro ainda não foi ouvido no parlamento".