O filho de uma doente do hospital da CUF Descobertas, em Lisboa, culpa o hospital e um médico pela morte da mãe. A vítima é uma mulher de 69 anos, que não resistiu a um choque anafilático.  

O filho garante que o choque anafilático aconteceu porque o médico prescreveu injeções erradamente e vai apresentar uma queixa por negligência médica contra o hospital e contra o dermatologista que fez a prescrição.

O hospital rejeita todas as acusações e garante que a medicação foi a mais adequada. 

Maria Teresa Veríssimo começou a perder faculdades dois dias depois de ter recebido as injeções com o medicamento, tendo recebido indicação do dermatologista que a medicou para se apresentar nas urgências da CUF Descobertas. Fora diagnosticada com psoríase gutata, uma doença de pele.

João Assis, o filho da vítima que está a preparar uma queixa-crime, acusa a unidade de ter deixado a mãe sentada num cadeirão à espera enquanto arranjava os 2.500 euros de caução para que ela pudesse ser internada. 

A doente ficou internada na CUF apenas dois dias, sendo depois transferida para o Hospital São Francisco Xavier, onde os médicos disseram desconhecer o Cosentyx, medicamento que lhe tinha sido injetado. Maria Teresa Verísismo ficou em coma e com lesões renais, cardíacas, cerebrais e pulmonares, alegadamente causadas pelas injeções. 

A Novartis, contactada pelo filho de Maria Teresa Veríssimo, garante que não produz medicamentos para a psoríase gutata.

O hospital já reagiu e assegura que Maria Teresa Figueiredo foi diagnosticada e tratada a Psoríase Vulgar em Placas. “As referências a Psoríase Gutata são totalmente incorretas. As irrefutáveis evidências do diagnóstico de Psoríase Vulgar em Placas estão registadas no processo clínico eletrónico da doente e incluem registos fotográficos que o comprovam”, assegura o Hospital CUF Descobertas, em comunicado enviado à TVI.

A doente viu a doença agravar-se ao longo do tempo, a medicação convencional deixou de ser eficaz, e foi-lhe proposto, e aceite, o tratamento com agentes biológicos. Fez análises e exames de diagnóstico que excluíram contra-indicações, e o dermatologista prescreveu o tratamento com o medicamento Cosentyx, do laboratório farmacêutico Novartis, indicado para Psoríase em Placas”, acrescenta o documento.

Quando, em fevereiro, Maria Teresa se dirigiu ao hospital “foi acompanhada pelo dermatologista à urgência, tendo realizado vários exames”. “Foi internada e nunca a prestação de cuidados de saúde esteve em causa devido a questões de pagamento.  O acompanhamento do médico dermatologista da Cuf Descobertas à doente e ao seu filho foi permanente, mesmo após a transferência para outro hospital, como comprova uma extensa troca de emails”, pode ainda ler-se.

O hospital admite que “na origem do estado de saúde crítico da doente poderá ter estado uma reação adversa ao Cosentyx” e “o médico notificou o laboratório responsável pelo medicamento”.