A clínica de Setúbal onde foram realizadas as ecografias ao bebé Rodrigo, e onde onde trabalhava o obstetra Artur Carvalho, não era fiscalizada há oito anos.

A EcoSado tem licença para funcionar através de um procedimento simplificado, pelo que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) assume que não pode garantir que a clínica cumpra todas as regras.

À TSF, o regulador explica que desde 2011 que a clínica não era fiscalizada.

De acordo com a lei, cabe à empresa que explora a EcoSado responsabilizar-se pelo integral cumprimento dos requisitos mínimos de funcionamento, uma vez que não é necessária vistoria prévia da entidade reguladora.

A ERS também confirma que em julho, antes do caso do bebé Rodrigo, recebeu uma queixa contra a clínica por malformações graves num outro bebé que também não foram detetadas numa ecografia obstétrica. A reclamação foi encaminhada, um mês depois, para a Ordem dos Médicos.

O bebé Rodrigo nasceu este mês no Hospital de Setúbal, sem olhos, nariz e parte do crânio, mas a mãe não foi acompanhada naquela unidade nem realizou lá as ecografias de seguimento da gravidez.

As ecografias foram realizadas pelo médico Artur Carvalho numa clínica privada em Setúbal, apesar de o obstetra exercer também no Centro Hospitalar público. O médico que realizou três ecografias à mãe de Rodrigo não detetou ou não informou os pais de quaisquer malformações.

O Centro Hospitalar de Setúbal anunciou já a abertura de um inquérito para apurar se foram efetuados corretamente todos os procedimentos no parto do bebé, no dia 7 de outubro, no Hospital São Bernardo.

Na terça-feira, o Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos decidiu suspender preventivamente o obstetra envolvido no caso.

O Ministério Público abriu, por sua vez, um inquérito, no seguimento de uma queixa apresentada pela mãe.

/ CE