O bebé Rodrigo, que nasceu com malformações graves não detetadas durante a gravidez, já está em casa com os pais.

O pai, David Ribeiro, partilhou, entretanto, uma fotografia do filho na sua conta no Facebook.

O quadro clínico do recém-nascido, que fez um mês na semana passada, não se alterou, mas como consegue respirar sozinho, mamar e beber do biberão, os médicos do Hospital de Setúbal decidiram aceder ao pedido dos pais e deixá-lo sair da unidade hospitalar, confirmou fonte familiar à TVI.

Em casa, Rodrigo vai ser acompanhado dia sim, dia não, por uma equipa de cuidados paliativos pediátricos e terá consultas semanais. Em caso de SOS, está tudo coordenado para uma rápida intervenção, 24 horas por dia. No hospital, o quarto de Rodrigo mantém-se. 

A decisão tem como principal objetivo ajudar os pais num processo doloroso: desde o dia 7 de outubro, Marlene e David têm sido acompanhados por uma equipa de psicólogos e o regresso a casa é um passo importante para a estabilidade do casal. 

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Os últimos exames confirmam que o bebé tem problemas graves no cérebro e surdez. 

Rodrigo nasceu com malformações no rosto, nomeadamente sem olhos, nariz e parte do crânio. 

Apesar da disponibilidade oferecida aos pais de permanecerem em regime de internamento, os mesmos decidiram que preferiam continuar a prestar os cuidados ao bebé Rodrigo no domicílio", refere um comunicado divulgado entretanto pelo Centro Hospitalar de Setúbal.

A criança e família estão a ter o apoio da Equipa Comunitária de Cuidados Paliativos, mantendo-se sempre na retaguarda o apoio da Equipa Intra Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Pediátricos", acrescenta o comunicado, adiantando que Rodrigo, que nasceu no dia 7 de outubro no Hospital São Bernardo, em Setúbal, se encontra estável e não necessita de cuidados especiais em regime de internamento hospitalar.

No passado dia 22 de outubro, o Conselho Disciplinar Regional do Sul (CDRS) da Ordem dos Médicos suspendeu preventivamente o obstetra que acompanhou a gravidez da mãe do Rodrigo e que não detetou as malformações do feto em diversas ecografias realizadas numa clínica particular, mas que não tem acordo com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Na altura, o CDRS justificou a suspensão com a "gravidade das infrações imputadas ao médico arguido nos vários processos e aos indícios muito fortes de que efetivamente as cometeu" e considerou que a conduta do obstetra Artur Carvalho colocou em causa a confiança na qualidade dos serviços médicos obstétricos prestados em Portugal e desprestigiou a classe médica.